quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Meu mais ou menos eu



O melhor de se aproximar dos 31 anos é não percebê-los chegando logo ali. Adoro o meu aniversário, bem colado ao Natal. Dá um clima, sabe? Sinto isso desde sempre. Mas desde há pouco, gosto ainda mais por ser uma coisa minha, o meu tempo, aprendizado, minha experiência e, acima de tudo, a comemoração do meu olhar sobre as coisas. Um pouco menos para fora. Uma importância a mais para mim e para quem eu me torno a cada ano.

Vou comemorar a chegada da nova fase com meus pais, namorado, irmã e cunhado. O suficiente. Os maravilhosos outros familiares e excelentes poucos amigos, assim como esse grupinho de abertura, estão comigo ao longo do ano todo. E não vivo sem. Mas os vivo diferente com o passar do tempo. Menos oba-oba, mas fundamental.

Perguntei no Instagram – mais uma das redes em que posto cada vez menos – “Ansiedade: melhor com ou melhor sem?”. Pouco mais de setenta por cento disseram que preferem viver de forma ansiosa. Eu estou no grupo dos pouco menos de vinte por cento que preferem a calmaria. Questão de perfil, de experiências e, consequentemente, de momento de vida. Só acho. Nada imposto por lei.

E não confunda essa temperatura morna com a inexistência do calor, afinal, eu sou meu maior motivador e minha essência morreria sem entusiasmo, meu futuro não existiria sem meus sonhos, sem planos, os meus anseios sem a tal ansiedade.

O meu ponto é: manter o equilíbrio. Exercício diário, coisinha que tem me dado um barato. Tenho amado isso! – e aqui fica uma exclamação, de coração.

A mesma ansiedade que causa animação, causa desconforto, em mim e nos outros, pois – outra coisa que aprendi bem perto de trintar – as pessoas ouvem interessadas as nossas alegrias e tristezas... Interessadas em mostrar as delas mesmas ou em usar aquilo que dissemos também em favor delas mesmas. Algumas vezes para o bem, sim, mas quase sempre... Bom, você deve saber. Ou, se souber olhar com maturidade, um dia saberá. Pena de quem fica sem entender.

Acontece que entrei no meu próprio mundo invertido: fico mais feliz com a realização do que com a expectativa. A chama que existe neste capricorniano que não lê o horóscopo e nada religioso – porém de oração diária – é algo cultivado somente por ele. Como se queimasse em uma redoma que somente ele sabe onde fica.

O que as pessoas veem da gente é aquilo que elas pensam que sabem. No mesmo dia, uma a amiga me chamou de pilhado e a outra de pleno. Duas letras P bem diferentes para este letra M aqui.

Sobre esse olhar do outro, quando não conhecemos a rara empatia, ela pode parecer a comum apatia. Eu me incluo nessa confusão. Levei um bom tempo para começar a praticar.

Mas enquanto essa minha turma não aumenta, sigo o exercício, firmo nessa que me permite sentir-me melhor para lidar com tanto desiquilíbrio e excesso ao redor.

Pode ser que um dia essa minha reflexão soe tosca para mim mesmo enquanto já parece sem noção para todos os outros, mas, ao entrar de vez na casa dos trinta, observo com atenção, ouvindo mais, expondo menos e, naturalmente, para a maioria, parecendo cada vez mais bobo. Bem bobo.


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