sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Quem precisa de um homem que dance




Acho que homem que sabe dançar nunca é o marido da mulher que gosta de arrastar seu salto alto pelo salão. Toda esposa, noiva, namorada reclama que seu parceiro não dança. Até aquela casada com um pé de valsa é capaz de soltar um “Ele dança, mas logo cansa”. Pior: há quem perca as estribeiras pelo cara só dançar com “as outras”.

Uma amiga passou uns dias no Rio de Janeiro e tocou se meter no ensaio de uma escola de samba. E dá-lhe samba! Ritmo que também se dança a dois. Mas que homem acompanha isso? Ela encontrou um. Que sorte! Rodopiou a noite toda. Só estranhou uma coisa: o rumo para onde o seu sambista olhava na quadra.

Enquanto a Cinderela teve até a meia-noite para aproveitar o baile com o príncipe, minha amiga teve até a vontade do namorado de seu parceiro de dança em querer voltar para casa. Homem, dançando bem... Gay. Não que seja bem gay. Mas gay.

Sem preconceito! Mas via de regra é o que vemos e ouvimos. Uma maioria. Aquele cara hétero sabe dançar? Claro que sim. Aquele da minoria. Uma amostra da sociedade bastante disputada. A tapas e puxões de cabelo. Filas e filas de mulheres que esperam ser chamadas para a próxima música.

O clichê “Não se pode ter tudo” nunca esteve mais em alta. E se mulher conhecer como é o companheirismo de estar com outra mulher, pode ser o fim dos relacionamentos héteros. A mulher que prioriza carinho, surpresas, um bom papo, ele ser engraçado, antenado, que conheça seus gostos para um belo presente, estiloso, que não dispense um bom perfume, que não peide nem arrote na sua frente, que ofereça sexo com massagem, massagem com sexo – tem que ter a massagem! – e a parceira sempre em primeiro lugar, tudo em uma só pessoa, deve, definitivamente, imediatamente – largue este texto e corre – considerar um relacionamento com outra mulher. Ou com um homem, sim. Um homem gay.

Quem precisa de sexo? (Eu!). Muitas mulheres não. Engravida-se de milhões de formas. Deve ter até acupuntura capaz de prover um bebê hoje em dia. E o prazer manual também pode ser suficientemente legal.

Outra amiga confessou: “O que acontece é que dificilmente homem é legal. Homem hétero. Eu raramente passo do terceiro encontro”. Não a culpo. O papo é foda. Muitas vezes o hálito também. Mal conseguem falar sobre um bom filme ou atores que surpreendem. Só conhecem o Vin Diesel. Na balada chegam passando a mão no cabelo da mulherada. Eu já vi um cara se aproximando da menina e – pasmem – cheirando suas mechas até que ela percebesse. É para morrer solteira mesmo.

Não tenho dúvida de que a pior encarnação é nascer mulher. Mulher hétero. Que (falta de) sorte. Lá em casa quando reúnem meu pai, meu tio, meu cunhado e os namorados das minhas primas parecem sósias produzidos em série com opções de penteados e alturas diferentes. Só. Ah! Os nomes também mudam. Só. De resto, parecem hologramas de um mesmo ser.

As piadas, os filmes que acham engraçado, os gostos musicais, o mau gosto para se vestirem. Tudo igual.


Tudo mesmo: homem hétero é capaz de uma leveza que a mulherada dificilmente vai ter. Cuca fresca, chinelo no bar, cerveja em vez de terapia. Troca balada pelo sofá e sofá pela balada sem precisar planejar uma semana antes. Se esqueceu algo, tudo bem. Isso não quer dizer que não dá mais para irem ao tal restaurante. E quando estão loucos de vontade de suas parceiras, transam (dia sim, outro também) como se nunca tivessem visto uma mulher sem calcinha antes. 

São altos e baixos dos homens, namorados, noivos, maridos. Gays e héteros. Créditos e débitos. E cada mulher sabe o seu limite bancário para escolher como lhe convém pagar a sua própria compra.


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