quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Mantenha a calma



A maior dádiva de uma criança é a sua ansiedade. Nada poderia colocá-la em maior estado de empolgação, mantê-la mais contagiante a quem está ao redor.

A ansiedade pelo primeiro dia de aula, por acabar as lições de casa para então só pensar nas brincadeiras, a primeira noite dormida na casa de um amigo, a chegada do Dia das Crianças, aniversário, do Natal e do primeiro sorvete com a primeira paixão.

Na paixão adolescente, a ansiedade empurra para a frente. Também puxa para baixo. Nos mantêm sorrindo durante horas e horas de viagem só por sabermos que vamos passar um tempinho com quem queremos. Ansiosos pelos 16 anos e a possibilidade do primeiro salário. Aos 18, as aulas na autoescola e as primeiras freadas bruscas no carro do pai – com ele quase enfartando no banco do passageiro, claro.

A maior dádiva da vida adulta é perceber a ansiedade nos deixando aos poucos. A cada passinho que ela dá para fora de nossos coração e mente, notamos imediatamente o ganho do aprendizado pela consciência completa que temos de cada situação. Observação que só é possível pela gentileza de a ansiedade nos deixar ter o controle sobre nós mesmos.

De repente é uma apresentação no trabalho a qual você jamais se dedicou a algo parecido. O início de um relacionamento com alguém que você sempre se imaginou junto. E se eu estragar tudo? Não vai. Mantenha a calma. A ida da ansiedade deu lugar a essa dama que entra aos poucos em nossas vidas.

A calma não controla, orienta. A suspeita de uma doença será sempre uma suspeita até que a gente receba o diagnóstico. Suspeitar é quase nada. O encontro com alguém que evitamos a vida inteira será somente um oi casual, de longe mesmo, e as vidas, sua e dela, podem seguir sem, sequer, uma mudancinha significativa.

Pode ser que a ligação de um indiano falando um inglês bem ruim caia exatamente no seu ramal durante o trabalho. Mantenha a calma. Dizer um eficiente “wait, please” nos dará tempo para conseguir que alguém nos ajude ou encontremos outra solução.

Promoção e demissão. As duas sempre virão. Cedo ou tarde. Com e sem avisos. Respostas que não vêm, mantenha a calma. Em tempos de aplicativos que oferecem, inclusive, a informação sobre a outra pessoa ter recebido ou não, lido ou não a sua mensagem, acalma-se. De que adianta, não?

A qualquer hora, todos nós batemos o carro. Ou batem na gente. Acharemos que estamos doentes de algo grave por qualquer pintinha diferente que aparecer em nosso corpo. Resfriado que não passa em quem tem uma vida agitada é Aids. Quem disse? Gripe é gripe.

Vão alterar a voz com a gente no trabalho e a gente vai, sim, dar alguma ideia descabida momento ou outro. Calma. Ria das bobeiras sérias assim que alguém retomar o assunto quando passado. O boleto vencido sempre terá uma segunda via com a data atualizada para pagamento.


Em tempos, nos acharemos uns nada. Teremos certeza de que somos melhores que muitos. Mantenha a calma. Nada é somente do jeito que é. Menos ainda a nossa única opção. 


IMAGEM Forbes.com


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7 comentários:

Anônimo disse...

Muito, muito apropriado.

Matheus Farizatto disse...


Para todos os momentos de vidaça! rsrs Obrigado pelo comentário.

Anônimo disse...

Muito bom..... PARABÉNS

Matheus Farizatto disse...


Que bom que curtiu. Obrigado demais. ;)

Anônimo disse...

Ótimo texto, parabéns!

Matheus Farizatto disse...

Muito obrigado. Que bom que gostou.

Lucimara Souza disse...

Matheus, olha...
Eu acho que, quando criança, adolescente, eu era menos ansiosa e mais paciente do que sou hoje... rs. A ansiedade hoje me tira a fome e o sono. Isso em situações muito específicas.
Entretanto, concordo com você. A vida fica mais leve quando conseguimos manter a calma. Minha mãe diz: há sempre um jeito pra tudo, menos pra morte. E é verdade! ;)