sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Peculiares











Pela jornalista e tradutora, 
Viviane Martines Riitano



Fui com minhas filhas assistir ao filme O Lar das Crianças Peculiares que recebeu o toque também peculiar e brilhante de Tim Burton. A decisão de assistir o filme também foi “peculiar” – classificação indicativa 12 anos. Minha filha mais velha a 50 dias dos 12 e a mais nova a 60 dos nove... Minha primeira transgressão como mãe foi regada à pipoca doce e refrigerante.

O filme é deliciosamente intrigante, para pais e filhos há momentos de tensão, ternura, melancolia e diversão e para não sair do padrão Burton, umas esquisitices aqui e ali. Ouvi logo após assistir ao filme um crítico famoso de cinema “detonar” a obra. Well, well, well... A função dos críticos não é lá algo que muito me agrade mas, neste caso e com todo o respeito ao profissional acho que ele - nas palavras da minha pré-adolescente – “mandou mal”.



























filme revela uma relação muito próxima entre avô e neto, coisa que hoje em dia é muito mais comum do que há algumas décadas quando mães podiam se dar ao luxo de passar os dias cuidando de sua prole. Hoje os avós têm um papel cada vez mais ativo na vida familiar e algumas vezes essencial por vivermos dias tão exigentes em relação ao sustento de nossos filhos. Já a relação com o pai no filme é distante, um pai que vive lá num mundo próprio e que acredita estar muito “no controle” da situação, mas, acaba por negligenciar emocionalmente e até fisicamente este filho em várias ocasiões... Soa familiar?
A mãe trabalha – E MUITO – outro ponto bastante comum de nossas famílias. É ela quem tenta controlar o pai “descontrolado”, o filho atordoado, as contas da casa, o tratamento psiquiátrico da criança... Outra estória bem conhecida por nós.

Samuel L. Jackson foi criticado por ter aceitado um papel de pouca expressão. Um vilão que beira a patetice. Para mim Samuel L. Jackson mudo já é sucesso e o filme é sim para crianças, em alguns momentos senti mãozinhas me apertando bem forte quando o Dr. Barron fazia suas maldades. Portanto, para o público alvo foi excelente.

Há crianças no filme que cospem abelhas, dão vida a brinquedos, são invisíveis e várias outras coisas que lembram sim a saga X-Men, outra acusação do crítico.

Mas, talvez o que haja de mais peculiar nisso tudo seja o fato de o crítico não conhecer o universo das crianças a quem o filme se destina. Uma grande parte delas é criada por seus avós, por que suas mães trabalham o dia todo, por que seus pais as abandonaram e passam o dia a sonhar com mundos paralelos onde é possível voltar o tempo. Outras sonham ser invisíveis para que não sejam encontradas por seus agressores ou fortes como os adultos que as violentam todos os dias - e talvez leves ao ponto de flutuarem como devem ser todas as crianças que vivem neste mundo louco onde nem a arte direcionada à infância escapa aos rótulos.  Por isso, Sr. Crítico, por retratar a vida de uma grande parte de nós de maneira tão peculiar, o filme é um sucesso independente da sua crítica. 



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*** Deliciosa colaboração da amiga talentosa, quem se dedica toda semana a me fazer aprender espanhol – enquanto eu pareço um retardado tentando falar o idioma: a Vivi. Muito obrigado pelo texto, minha lindíssima. Você manda bem demais em tudo o que você faz. Que a gente sempre se borre de rir. O Caneca também é seu!
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