segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Não quero ser Bridget nem Renée

O que me colocou para pensar foi: será que existe a chance de não 
amadurecermos em nada com o passar dos anos?








Assistir a um dos filmes da série Bridget Jones prestes a chegar aos 30 anos pode ser assustador. Assistir aos três (“O Diário de Bridget Jones”, “Bridget Jones: no Limite da Razão” e “O Bebê de Bridget Jones”) em um mesmo fim de semana, prestes a abraçar os 30 e ainda por cima solteiro é definitivamente para os fortes. Muito fortes! Nível X-men.

No primeiro filme da sequência (2001), Bridget (pela atriz Renée Zellweger), acaba entrar para o time das trintonas solteironas e resolve mudar seus hábitos na esperança de finalmente encontrar um cara que valha a pena – o que a libertaria do constrangimento das festas de fim de ano em família quando todos os parentes perguntam sobre namorados enquanto te apresentam pretendentes.

Renée está linda. Um charme no papel. Encantadora com seu jeito estabanado que dá o tom da comédinha. Logo, claro, não surge apenas um pretendente mas dois numa historinha fofa que nos prende como passatempo.

No segundo filme (2004), um pouco mais do mesmo. Bem gostosinho também. Ainda com a disputa entre os dois pretendentes que mexem com ela. Até que Bridget se toca do pilantra que é um deles e fica com o outro.

Agora começa o verdadeiro filme de terror. Neste eu fiquei assustado. De verdade. Este ano saiu o terceiro filme da série.

São 15 anos depois do lançamento do primeiro. Na história, passaram-se dez anos desde o último conto. Bridget está com 43 anos e... Solteira.

Nas reviravoltas da comédia, ela termina com o pretendente escolhido na história de 2004 e não vou entrar no detalhes da trama em si – ela engravida sem saber quem é o pai depois de transar com dois caras na mesma semana; um deles, o namorado do segundo filme – e sim no constrangimento que é ver “Bridget/Renée” uma década e meia depois da estreia da trilogia. Coitada(s).

A atriz fez plástica até no sovaco. Parece outra. Perdeu todo o carisma, se esticou no último, matou a boquinha carnuda e o rostinho redondo que davam o ar de bonequinha britânica. Um desastre.

O show de horror começa enquanto a personagem continua sendo tão estabanada quanto no primeiro filme. Só dá foras no trabalho, não sabe que mulher se tornou e, aparentemente, não aprendeu nada sobre relacionamentos. Dessa vez, dois cinquentões flertam com a solteirona quarentona como se tivessem acabado de sair dos vinte anos – coisa que as bolsinhas embaixo dos olhos e a papadinha no pescoço, muito bem vistas na telona em alta definição, fazem tudo ficar ainda mais forçado.

O que me colocou para pensar foi: será que existe a chance de não amadurecermos em nada com o passar dos anos? (De tantos anos!). É possível que a gente possa mudar tanto o nosso rosto com cirurgias e tão pouco o nosso amadurecimento para lidar com as coisas?

Medo de me tornar um quarentão – não solteiro, tudo bem se não pintar um amor para esse momento da vida - daqueles constrangedores no estilo Bridget. De fazer piadas sem noção, de parecer um bonecão de cera cor de tijolo baiano por causa do bronzeamento artificial, cabelo tom "acaju", dentes que parecem chicletes Plets – quadrados exatamente iguais, enormes e brancos demais –  e para completar: amigos que querem viver de balada de segunda a segunda. Deus me livre, guarde e mantenha longe.

Ser paquerado com uma cantada clichê aos 40 anos? Tem situação mais cafona? Seu novo namorado cinquentão te chamar para uma festa rave? Frequentar motel com um estranho por semana? Ou motel barato com o parceiro de anos e anos?

Aos 40 anos, não quero joguinho na paquera, quero histórico com grau de sinceridade que afastaria qualquer outro iludido bobo. A gente troca o motel por um bom quarto de hotel. A rave por um fim de semana em uma linda chácara. O barulho pelo silêncio. O beijo de língua na campainha da garganta pelo abraço com um beijo de amor na testa. A manguaça por um bom vinho. 

É o momento para trocar o constrangimento da juventude forçada pela serenidade de assumir as dobrinhas e molezas do corpo em um sexo que não pede alta performance.

Assistir à Bridget Jones como uma mulher de meia-idade se comportando como adolescente fez a minha cara arder de vergonha. Ver Renée Zellweger se tornar outros rosto e corpo para o papel que nada mudou com o passar de 15 anos me causou uma sede por amadurecimento que nem o litro de refrigerante no cinema foi capaz de saciar.

  

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