sábado, 20 de agosto de 2016

Um pouco de Disney para mim, por favor



No meio de um dia de trabalho, uma amiga soltou que essa vida é difícil. Eu, no ápice da minha ignorância, respondi com toda a autoestima do mundo reunida no umbigo de um ser humano babaca: "Eu não acho essa vida difícil". Pobre eu.

Para quem não concorda que a vida é difícil, só lhe resta reconhecer que não é fácil. Escolha a sua.

Como exemplo disso, está aí o sucesso Disney. Terminei o livro "A Magia do Império Disney" que traz a história de Walt desde a sua infância, seu empreendedorismo, criatividade, sonhos, então as burocracias e dificuldades da construção de tudo o que ele representa hoje, além de apresentar detalhadamente os parques que levam o seu nome.

Walt Disney passou por louco quando disse que os adultos precisavam de um lugar onde eles pudessem ser crianças, onde seus sonhos seriam possíveis. Deu no que deu. A gente precisa mesmo, pois fácil a vida não é.

De que adianta dia após dia, se não sabemos para onde estamos indo? Para que serve o amor próprio se não há aquele sonho que usa esse amor como combustível para que tal sonho se realize?

Quando crianças, assisti a todos os filmes da Disney. No cinema mesmo, quando lançados, anos 90. Os lançados antes disso, em VHS comprado na banca de revistas junto com o jornal na promoção de domingo. Um novo longa por semana. Vi cada um. E continuei a ver. De repente, parei.

Tenho algumas das animações em DVD, outras baixadas ilegalmente em meu HD. Acontece que com o andar das coisas, o chegar dos anos, a responsabilidade de manter a casa, de se desdobrar no emprego, o play ficou de lado.

O sonho passou. Mal lembro qual era. O amor se definiu como o autossuficiente, previsível e controlado.

Cadê a reviravolta? Aquele momento em que parece que as coisas não têm mais jeito e, de repente, tudo muda para como deveria ser!

Sem perceber, amigos não têm mais tempo para os amigos. Família passa a ter dia e hora marcados para se encontrar. Conhece-se muitos por aí, ama-se demais a si mesmo, mas não se ama ninguém mais.

Consumir Disney é beber um pouco de esperança, pedir por um sonho e saber que ele lhe será servido, sentir um amor que pode não existir fora daquela tela. 

Preciso voltar a apertar aquele play.



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