sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Essa mania de pensar demais

Namoros só começam quando as pessoas estão apaixonadas?


Tive que perguntar para ela: "Como você sente o amor de vocês?". Ela: "Eu percebo que o amo em pequenas coisas, pelo jeito que ele cuida de mim, pela atenção que tem comigo". O namoro é de alguns meses. Surgiu aos poucos. Nada de paixão arrebatadora. Ela conhecia bem o perfil, os flertes com algumas outras, a vida junto por muitos anos com aquela outra. 

Começou com um beijo no carro. Imediatamente aquela falta de esperança de que algo poderia vingar. Cheguei a ouvir um "Não vai dar". Ela disse. Mas ela beijou de novo. E outra vez. E de novo.

Como os namoros surgem? De repente ele era assunto dela comigo, com a gente. "Essa semana eu e ele fomos tomar cerveja com os meus amigos". Então outros amigos, logo os primos - porque ninguém começa pelos pais, certo? Melhor ter a pesquisa de aprovação em mãos antes de dar este passo. 

A minha pergunta do começo foi porque por um tempo não entendia como duas pessoas aparentemente sem algo em comum poderiam começar a namorar assim, aparentemente de uma hora para outra. Ainda mais não rolando aquela paixão que faz a gente perder conta da gasolina por não medir distância.

Foi quando os vi juntos que comprei a ideia. Com ele chegando de viagem para nos encontrar para uma cerveja, eles se abraçaram na rua e trocaram um selinho carinhoso. Nada de vir correndo ao encontro um do outro, braços abertos no meio do caminho até a chegada do abraço triunfal, beijo com a língua no céu da boca um do outro ou gritos marcados de "Ai! Que saudade!". Tudo muito espontâneo. Coerente para quem são, para o momento que estão. Dá para dizer que é menos amor que outros que vemos por aí? Eu não me atrevo.

Já me atrevi. Nos dois namoros que tive, a história começou com a tal paixão que nos tira do prumo. Tudo o que você quer é o outro. Por um, cheguei a dormir no carro, na porta de seu apartamento, só para estar ali no primeiro horário da manhã no dia seguinte enquanto ele não atendia o celular por já estar dormindo – se você abandonar a leitura neste ponto por me achar perturbado demais, eu te entendo.

Por outro, tendo o conhecido na noite do meu aniversário durante a balada, fui bater em outra cidade só para deixá-lo na porta de casa como um bom apaixonado de imediato faria. Tudo na sua fase, na proporção de nosso aprendizado. 

É celular que não pode ficar sem bateria, então corremos até a casa da amiga mais próxima de onde estamos para tomar o carregador emprestado. É dinheiro que a gente não tem mas gasta para causar aquela impressão. É investimento sem pensar porque tudo o que se quer é uma hora – e tem que ser próxima nesses casos – poder chamar de meu. "Estou namorando". Oops... "ESTAMOS namorando". 

Da paixão ao namoro. No namoro, surgiu o amor. Passada a paixão, quem segura é o amor. Mas descobri que amor acostumado a viver de paixão pode capengar quando o ânimo causado por ela começa a se diluir.

Eu e essa minha mania de pensar demais. Mas a maturidade nos ensina as possibilidades que temos e como as coisas se transformam.

Tive que perguntar para ele: "Você acha que os namoros só começam quando as pessoas estão apaixonadas?". Ele: "Acho que começam quando elas estão dispostas".






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