quinta-feira, 19 de maio de 2016

Será que vai durar?

Não há nada mais doloroso que agredir aquele que um dia cuidamos com tanta dedicação

Por um instante se esquece para onde estavam indo. Desde que as portas bateram em partida, o silêncio tomou conta do carro e fez com que os dois se tornassem desconhecidos um ao outro. Não há o que dizer, o que comentar sobre nem mesmo uma bobagem que rolou no lugar em que estavam. Antes mesmo de voltar à cabeça o destino para onde estão indo, o silêncio é mantido e quebrado por um milhão de pensamentos que entopem a sua mente. "Será que vai durar?".

A mão na perna do companheiro no passageiro, tão corriqueira e carinhosa durante o tempo juntos, se torna o último movimento possível naquele momento. A mistura da falta de vontade com o nenhum entendimento disso que os dois que já foram tão apaixonados estão passando, cria um muro no meio do pequeno veículo.

A partir daí, tudo é sem graça. As luzes dos postes, passando uma a uma, nos fazem voltar para a consciência do caminho de casa. Quando as portas se batem outra vez, sabe-se que farão algo para se distraírem e depois tentarem dormir. 

Não há alma, o corpo caminha, a mão prepara, os olhos não se encontram e a boca beija na hora que o protocolo pede. São dois estranhos que já trocaram bilhetes correspondidos que descreviam um amor inabalável.

"Boa noite". "Durma bem". "Você também". O "eu te amo" vem em pensamento mas a boca não se move para dizer porque o coração não a incentiva. Bate devagar, enquanto o cérebro trabalha a mil. "Será que vai durar?". Com cada um virado para um lado da cama, parece que até se encostarem seria um constrangimento.

"Quando eu acordar vai melhorar". E não passa. Nem a noite nem a angústia. O "bom dia", antes tão gostoso, se torna previsível. Os telefonemas ao longo do dia de trabalho, também. O que antes agradava, passa a irritar. O que antes conquistava e despertava a curiosidade pelo amar alguém diferente, passa a ser incompatibilidade. Qualquer desencontro até então compreendido, passa a ser motivo para implicância. Então o outro começa a pagar. E não há nada mais doloroso que agredir aquele que um dia cuidamos com tanta dedicação.

Como pode? Como se salva?

A companhia começa a ser evitada na tentativa de a saudade resgatar aquele algo. A companhia começa a ser imposta na tentativa de a parceria resgatar aquele algo. Tudo se perde. O silêncio no carro, na cama, no shopping, no bar enquanto esperam a chegada do pedido feito sem nada para fazer são momentos que cronometram a contagem regressiva que dará início à conversa do fim do relacionamento. Então o cronômetro zera, a areia acaba de cair, e nada acontece.

Mas mesmo que as palavras não venham, o tempo, aquele não digital nem analógico, não falha. O dia após dia desenha as palavras não ditas. Coloca em linha os olhares evitados. Então tudo é visto.

As perguntas não se fazem necessárias, as dúvidas que antes agitavam agora se dissolvem em uma paz há tempos não acessada. E a resposta não elaborada surge do cansaço da alma. Não há o que ser feito.



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2 comentários:

Lucélia Muniz França disse...


Maneiras de fazer alguém feliz

Dê um beijo
Um abraço
Um passo em sua direção
Aproxime-se sem cerimônia
Dê um pouco de seu sentimento
Não conte o tempo de doar-se
Liberte um imenso sorriso
Olhe nos olhos
Respeite uma lágrima
Ouça uma história
Mande uma carta
Lembre-se de um caso
Converse sério ou fiado
Conte uma piada
Ache graça
Ajude resolver um problema
Pergunte como vai?
E preste atenção!
Sugira um livro ou um filme
Diga de vez em quando desculpe,
Muito obrigada, não tem importância
Que se há de fazer
Dê um presente
Tente de uma maneira...
E não se espante se a pessoa mais feliz for você!

UM FELIZ DIA DO ABRAÇO!!!
http://luceliamuniz.blogspot.com.br/

Matheus Farizatto disse...

Lindo demais, Lu. Obrigado. Felizes abraços para você!