quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Alegria + alegria = alguém triste?



Se parece estranho eu ter passado o carnaval em casa sozinho a maioria dos dias, imagine o que vão pensar ao saberem que fiquei no meu apartamento enquanto o meu namorado partiu para a folia em plena noite de véspera de feriado? Nem Fluoxetina deve dar jeito mais para o podre Matheus.

O áudio chegou no meu celular enquanto eu dormia enquanto ele e as amigas chegavam para a bebedeira na rua de uma cidade vizinha - imaginem o absurdo, "sozinho em uma cidade vizinha!". Só vi depois. Ouvi depois. "Matheus falta você mas tomaremos conta dele!". Vozes tão boas. De gente bacana. gente feliz. Sentimento de quem não quer sacanear e essas coisas a gente definitivamente sente. Galera que mesmo não me conhecendo tanto, sabe quem eu sou, quem é ele, quem somos eu e ele.

O lindo chegou às quinze para as sete da manhã de terça de carnaval - imaginem o absurdo, "madrugou na gandaia!". Eu li no celular logo às dez e quarenta e cinco seguinte, depois de matar toda e qualquer vontade de dormir que havia em mim. 

E imaginem o absurdo: tu-do-pos-ta-do-nas-re-des-sociais. Pouca vergonha esses dois!

Sinceramente, o que passa na cabeça de casais que não conseguem permitir uma noite de diversão do parceiro com os amigos? Medo de ser traído? Quem trai não apronta enquanto conta onde está. Menos ainda com fotos pela internet provando tal pecado.

Ciúmes? De quem? Ninguém precisa sair sem o marido ou namorado para paquerar. Troca de olhares pode rolar durante o expediente, horário comercial, fim de semana ou não, carnaval ou dia banal - sem contar o menu do Resort da Perversão All Inclusive que não é parte de uma inocente troca de olhares.

Com amizade de mais de dez anos, eu e dois amigos não conseguiremos - até o momento, pelo menos; quem sabe este texto mude algo, ou talvez os próximos dez anos - fazer uma viagem juntos. Nós três. Só nós três e bebidas e celulares com bateria para - não só atendermos os namorados - tirarmos fotos e mais fotos juntos para nos ajudar a lembrar desse episódio quando nossas memórias ralearem um dia. Sorte dos grandes amigos que colecionam essas proezas.

Um deles disse que não vai se indispor com o namorado por isso. O que é se indispor? O que há pra isso? E rico são os amigos que permanecem ali juntos, com viagens ou não, indispostos ou não, sinceros ao conversarem sobre tudo uns com os outros.

Em dois meses, fui a três casamentos. Um recorde. Pelo jeito casamento e panela de arroz estão em alta - minha irmã ganhou oito. Em um deles ouvi o sermão: "A partir de agora sua alegria é fazer a alegria dele e a dele é fazer a sua". 

Se a minha alegria é viajar com meus amigos sem meu marido e a alegria do meu marido é que eu não viaje com meus amigos por conta dele, a conta não fecha, certo? - alguém me ajuda na calculadora?

Se quando se trata de provar companheirismo em um relacionamento a soma "alegria mais alegria" é sempre igual a tristeza de um, eu preciso não saber o que é somar. Ainda meu negócio é com as palavras.


2 comentários:

Lucélia Muniz França disse...

Dando uma passadinha aqui para informar que indiquei o teu Blog para o Prêmio Dardos. Um abraço!
Segue link da postagem:
http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/2016/03/premio-dardos.html

Matheus Farizatto disse...

Ah, que charme, Lu! Muito obrigado. Parabéns pelo trabalho de sempre.