quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Eu janto, logo não canso





Jantei macarrão com legumes. O macarrão é tipo espaguete. É tipo "abri o pacote há três meses, levei duas semanas para comer o que estava pronto e só agora fiz a outra metade". Os legumes são tipo em lata. Tipo seleta, sabe? Seleta de legumes. Tem em qualquer supermercado. São algumas variedades de legumes picadinhos. Vem cenoura, um meio branco e um meio transparente que não sei o que são.

Preparei com molho de tomate. Não o batido tradicional. Mas o tipo Tradicional de saquinho que estava aberto na minha geladeira há duas semanas – eu abri para preparar Rapidez com presunto e queijo, mas virou molho do meu Macarrão com Legumes. Uma especialidade.

Mas teve mais legume. Além da seleta, coloquei milho e ervilha. Ambos enlatados também. Porém este vieram da cesta de alimentos que recebo no benefício da empresa. Estavam no meu armário há quatro meses.

Então foi espaguete ao molho vermelho com milho, ervilha, cenoura, meio-branco e meio-transparente. Ficou com sabor de nada. Parecia comida da casa de boneca da Barbie. Imagina tirar aquele adesivo colado no fundo do prato cor-de-rosa dela e mastigar. Era isso que estava sobre a minha língua. Minha receita. Meu aproveitamento.

Não desperdiço nada. Presunto e queijo vencidos há três dias? Como. Jogo na Rapidez com meu molho em saquinho já aberto na porta da geladeira e fechado em dobra com prendedor de roupas e pronto. Rapidez. Rapidaço. Mais prático só se eu tiver que apenas cheirar os ingredientes e já me sentir de barriga cheia.

Me mudei para minha casa há quatro meses. Moro sozinho. Nunca fui de planejamento – e continuo não sendo – mas precisei aprender a fazer planilha em Excel para administrar as duas panelas com comida que ficam na minha geladeira e os quatro pacotes de alimento que ficam no meu armário. Se eu não fizer assim não dou conta de comer tudo sem perder nada. Dois pacotes de pipoca de microondas são suficiente para eu jantar o mês inteiro. Se eu compro o tradicional milho para estourar na panela, passo o semestre não tendo que comprar mais nada. Tudo sobra.

Almoço na casa da tia e visita da mãe são ceia de fim de ano. Posso chamar a vizinhança para fazer caridade. Quem olhar a minha geladeira depois disso acha que moram o pai, a mãe, a mãe da mãe, o filho, as gêmeas e o amante da mãe que ela diz que é primo para o marido. É comida demais pra um só.

De vez em quando cozinho dois ovos para comer com uma salada de alface que compro ao sair do trabalho. Uma delícia. Mas acabar com o maço de alface é uma tortura. Logo fica preta. Logo enche de água o pirex em que guardei folhinha por folhinha lavada. Daí como alface até com Rapidez e o molho da geladeira e o macarrão com legumes e alface vira até belisco dobrado em formato de coxinha para eu comer com cerveja. Festa da alface na casa do Matheus! Vem! Tem legumes também.


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