quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Ah, vá! Come on!



Está chique ser cafona
A gente não combina mais. Agora a gente “alinha”. Pedir algo para um chefe é “negociar”. Está todo mundo igual na área – aqui é melhor dizer “esfera” – corporativa.

Assisti a um treinamento de “Análise e avaliação de observação analítica para avaliar” – ou algo assim, que diz muito para a contratação do palestrante soar mais cara do que já é – em que o fofo que apresentava era igual aos outros cinco que vi nos últimos dois anos e parecidíssimo com os outros vinte e oito especialistas que eu evitei presenciar. Terno, gravata e um vocabulário que só possui quem está interessado em falar mais do que oferecer.

Vamos fazer um “Questions and Answers”, analisar pelo 5W2H, então você aplica os 6Ms – que então podem ser 7 ou 19Ms para se ter mais certeza do resultado – e o que se obtém desta avaliação com subconsiderações analíticas é que não apertaram o botão de ligar na máquina. Gente, será que só eu acho isso realmente um excesso? Tosco.

Definitivamente santo de casa não faz milagre. Pelo menos não até o santo de fora prometer e falhar. Nunca vi um consultor se apresentar como ex-office boy. Você já? Nenhum diria que trabalhou em uma locadora ou no Mc Donald’s. O cara diz ter 31 anos e 29 de experiência em Business Negotiation Megadrive Hot-dog Plus Doc. Oi?!

Para mim, ensina aquele que pega para fazer de forma que até a minha tia poderia aprender. Para mim, aprende mais aquele que sabe observar.

Em uma reunião, eu e mais três colegas fomos apresentar os trabalhos que tomamos conta para um novo gerente. A uma hora que tínhamos divido para quatro pessoas não deu. Estouramos falando em-lou-que-ci-da-men-te tudo o oferecemos em tom de “a gente é foda, viu?”. De repente me dei conta do quão tosco aquilo estava sendo. Então perguntei: “e você, conta um pouco sobre a sua experiência e qual vai ser o seu trabalho aqui para que a gente possa te atender”. No final! Primeiro nos gabamos de todos os procedimento e geração de resultado e workflow na estratégia de business in and out, scream and shout, para DEPOIS – talvez – descobrir que o cara não precisa de nada daquilo.

É difícil. Vicia. Se não se der um murro – porque tapa não vai resolver – na própria cara, já era.

Empresas estáveis foram criadas sem a Análise Swot e, acredite, esses empreendedores não eram débeis mentais a ponto de não saberem o que era correr risco ou identificar uma oportunidade. Demorei um semestre para descobrir o que era Benchmarking. Primeiro por preguiça de procurar por já achar o uso do termo tosco e segundo por pensar que se tratava de algo que eu precisaria de mais duas encarnações para compreender. Agora me diga, marcar de tomar um café para saber como outras empresas encaixotam seus produtos precisa ser pronunciado assim?

Duas, doze, quinze vezes me indicaram profissionais mega-fodas-blasters-dancing-with-the-stars para contratar e eu pensei, “Nossa, mas é qualificação demais para uma vaga de assistente”. Quando se conhece de perto, a tal pessoa não sabe passar um trabalho na frente por ser mais urgente porque aquele anterior já estava no planejamento para resultados com variáveis para serem atingidas nos próximos dez anos porém de ação imediatista nível urgência de três milésimos de segundo. Esquece um e faça logo o outro depois retoma, gente!

Quando na faculdade de Jornalismo, nunca pensei em ir para a capital. O que mais se ouvia era “É lá que as coisas acontecem”. Uma amiga fez marketing. Foi. Entrou no departamento de marketing de uma grande empresa. Ficou menos de dois anos e voltou chorando aceitando até empacotar compras no supermercado Rede 10.

Oqueeei... Então o trabalho é puxado na capital, tanto que só trabalham os Pica-das-galáxias por lá. Que nada.

Anos atrás eu me preparava para conversar com alguém que trabalha em São Paulo ou no Rio como alguém que vai dizer o que pretende da vida para o Barack Obama. Bo-ba-gem.

Na capital ou não, qualquer um pode ser tão bom quanto ou melhor. Muitas vezes melhor só de não ter a pompa de chamar de Conference Call o bate-papo por telefone para saber o que há de trabalho. Em vez de “pessoal, evite decote e camiseta regata”, o que se usa é “Atente-se ao Dress Code”. Boring!


Para mim expressão em inglês é para as zueiras dos gays. Ali sim soa bem, soa real, faz sentido. Entendeu, bitch? O resto só faz de tudo igual a tudo, raso, sem graça, forçado, falso – ou fake.



4 comentários:

Daiany Maia disse...

Seu lindo. Sabe que eu concordo em gênero e número, porque grau tá errado.
Ó, gente que fica o tempo todo querendo falar difícil só quer esconder o quanto é raso na coisa toda. Aproveita que as pessoas têm medo de perguntar "não entendi, traduz em português agora" e se esconde atrás de jargões, siglas e estrangeirismo.
Você não, você é essa coca-cola toda mesmo, bitch.

Matheus Farizatto disse...

Dai, a gente é Coca! Não é Coke. Se precisar, fazemos a Dolly. Nosso negócio é caprichar no retrato e zuar na photo. Sabemos da selfie mas adoramos um lambe-lembe. OoouuLLckaaaay, gUrl? <3

Michel Campillo disse...

"Para mim, aprende mais aquele que sabe observar." Pode até descartar o consultor empresarial, só que não basta saber observar. Em âmbito corporativo, primeiramente precisa identificar O QUÊ observar.

Matheus Farizatto disse...

Exatamente, Michel. Obrigado pelo comentário!