segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Luis e eu



Muita gente já o conhecia. Eu não. Eu era muito jovem, começando o colegial quando vi o Luis pela primeira vez. A princípio, nada de mais.

Nosso lance começou quando ele passou a me falar sobre a vida. Cara mais velho. Na dose certa. Encantador. E o senso de humor? Peguei gosto pelo seu jeito.

Lance de adolescente. Aquele ânimo que eu não sabia o quanto iria durar. Mas me fez muito bem. O Luis me motivou a tantas coisas... Apesar de ser mais popular que eu, me fez sentir como se eu e ele fossemos o ápice da afinidade. Foi como se nunca antes ele tivesse feito qualquer daqueles comentários para qualquer outra pessoa. Me apaixonei e não me via mais sem ele.

Nos encontrávamos de tempos em tempos. Nunca conversamos sobre isso, mas a monogamia simplesmente não acontecia. Definitivamente não era para a gente. Mas sempre que estávamos juntos era novo e do mesmo jeito. Tão bom e tão igual de tão gostoso.

Nossas conversas varavam a noite. Não sei se ele sabia, mas estava o tempo todo comigo. Eu pensava tanto sobre o seu jeito de cativar tanta gente. E este seu humor? Já falei?

Com o passar dos anos, conheci as várias possibilidades do Luis. Ele falando sobre a vida dos outros com seu olhar sobre os casais é sensacional. Em assuntos tão tensos, como a traição, ele simplesmente aliviava aquilo tudo entendendo sem neurose a natureza tosca do ser humano.

Livro "Amor Verissimo", de Luis Fernando Verissimo
Foi bom. Mas não rolou. O Luis me mostrou tudo o que ele pode ser. Fez da gente a comédia da vida privada e me elevou à maior plenitude com gargalhas e reflexões sobre esta vida. Me colocou em algum lugar do paraíso.

E, como todo relacionamento, meu querido Luis Fernando Verissimo se tornou previsível para mim. Ainda acho gostoso ouvi-lo, mas seu olhar sobre as coisas já não me surpreende. É confortável, sim. Mas já não é pra mim. Acabou a novidade.

Seus amores verissimos não me convencem. E pensar que eu já fui um deles.







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