domingo, 17 de agosto de 2014

Tartarugas mutantes adolescentes ninjas

O primeiro filme traz cenas ótimas e puramente verdadeiras pela
falta de tecnologia e necessidade de habilidades

Pronto. É essa a descrição – e título original da série – que tornou “As Tartarugas Ninjas” um ícone da cultura pop. É engraçado (imagina, tartarugas sendo ágeis como ninjas?), improvável (mutantes do tamanho de pessoas? E elas falam?) e carismático (todo adolescente é estabanado e muitas vezes irresponsável). Essa é a receita de sucesso mostrada nos gibis nos anos 80 que virou filme de sucesso em 1990 com mais duas franquias (1991 e 1993).  Em 2014, chega aos cinemas a versão ruim deste clássico.

Pobre de quem conhecer as tartarugas mutantes adolescentes ninjas por esta nova versão. As máscaras que vestem os atores como as tartarugas nos filmes dos anos 90 têm mais expressão que toda a computação gráfica usada no atual. Isso porque colocaram até lábios humanos nos répteis. Um excesso. E isso inclui os músculos. Tartarugas bombadas ao extremo. Personalidades diferentes? Leonardo, Rafael, Donatello e Michelangelo não precisariam de faixas de cores diferentes nos clássicos de tão marcantes seus perfis. No novo, é tudo bobo demais. Ninjas? Só no nome.




As novas versões mutantes saltam e rodopiam tão rápido que dá a impressão de estarmos em uma sessão de “Transformes” – e a Megan Fox no elenco só torna isso mais evidente. Muita informação. Pouca nitidez. Muito barulho. Pouca consistência.

O primeiro filme traz cenas ótimas e puramente verdadeiras pela falta de tecnologia e necessidade de habilidades. As tartarugas “reais” aparecem muito mais que neste monte de jogo de luz computadorizado de agora. Mesmo com as fantasias, os atores que as interpretam no clássico saltam, viram estrela, se penduram em canos para chutar e ainda viram mortais! Esses são os verdadeiros ninjas.

Em uma das minhas cenas favoritas do longa de 1990, Michelangelo desafia o inimigo na habilidade com os tchacos. É sensacional ver aquele “boneco” tartaruga fazendo o que ele faz. Como adolescentes, as sacadas são ótimas. Em outra sequência, dois deles assistem ao desenho “A Lebre e a Tartaruga” e enquanto a lebre corre muito mais rápido que a tartaruga, eles gritam para o seu semelhante: “Aplica um golpe ninja e acaba logo com ela!”. Tudo muito mais charmoso.

Além de na versão vintage elas serem realmente tartarugas. Quero dizer, entre os seus golpes estão o rodopio de costas com o casco no chão que atinge vários inimigos de uma só vez e a clássica escondida de cabeça para dentro do casco ao desviar de uma espada. Tão legal.

As verdadeiras Tartarugas Ninjas adoram pizza. Chamam o entregador e pagam-no pela grade do bueiro. As computadorizadas cedem a esse desejo em apenas uma cena que dura menos de cinco minutos. Tão superficial.

Talvez as novas tartarugas representem a maioria dos novos adolescentes: muito tecnológicos e pouco diferentes de todo o mais. Poderiam ser peixes ninjas ou abóboras ninjas. Não faria diferença. Mas talvez eu esteja enganado e não os representem, portanto, por favor, assista ao verdadeiro “As Tartarugas Ninjas”. Santa tartaruga!






2 comentários:

Lucélia Muniz França disse...


“Que as melhores atividades e sentimentos floresçam no jardim da tua vida! Tenha um ótimo fim de semana!”
Um abraço!
www.luceliamuniz.blogspot.com

Matheus Farizatto disse...

Obrigado, Lu.

Bom fim de semana. Beijão.