quarta-feira, 16 de julho de 2014

Reencarnacionamentos

Alguns relacionamentos podem realmente funcionar como purgatórios para aprendermos aquilo que precisamos para então sermos julgados e termos uma nova oportunidade?






Na maior vibe do espiritismo vintage, o canal Viva revive o folhetim “A Viagem”. Com direito a anúncio de meia página nos jornais de 2014, a novela de 1994 retorna – outra vez – com Antônio Fagundes numa apresentação com menos bolsas debaixo dos olhos.

A versão de canal pago do Vale a Pena (Re)V(iv)er de Novo me fez pensar sobre relacionamentos que desencarnam de nossas vidas e como eles – você acreditando ou não – vez e outra trazem de volta coisas que de repente não valem a pena ver mais. Ou valem?

Sentimentos reencarnam? Se estamos aqui para aprendermos com nossos erros, pode ser que cada namoro seja uma encarnação, uma nova vida, que nos faz pagar para aprender ou nos recompensar em uma próxima “chance”. É possível que defeitos e qualidades reencarnem no próximo namoro? Tudo pela evolução da espécie.

São relacionamentos que com o tempo não se comparam e pessoas completamente diferentes que te oferecem vidas paralelas que parecem ser separadas por um infinito esquecimento. Um sono eterno até a reencarnação. Ao abrir os olhos na próxima vez, é possível ouvir frases formuladas exatamente como você ouviu antes pela boca de outra pessoa, o ex? O que me diz de receber de volta aquele comportamento que você sempre plantou para colher e então presenciá-lo como você sempre esperou em detalhes? Seriam frases psicografadas pelo novo parceiro? Caso de possessão?

Eu percebo tão claramente algumas dessas situações que é como se eu realmente lembrasse como se fosse hoje pela manhã a minha “vida” anterior. Consigo sentir as alegrias esperadas e a tristeza passada.

No esquema “aqui se faz, aqui se paga”, se tratando de relacionamento, é preciso esperar outra “vida” para colhermos o que plantamos e aprendermos algo? Alguns relacionamentos podem realmente funcionar como purgatórios para aprendermos aquilo que precisamos para então sermos julgados e termos uma nova oportunidade?

Há muito tempo, eu abandonei e me fechei. Fingi. Não acompanhei. Disse “vá você”. Nunca fui.

Há algum tempo eu quis companhia. Pedi tanto. “Vá você”. Fui sozinho. Ainda assim ofereci. E ofereci outra vez. Desencarnei.

Há pouco tempo, ouvi as mesmas palavras que no passado eu disse ao acusar alguém de egoísmo. Foram exatamente as mesmas. Dessa vez, apontadas para mim. Neste mesmo tempo, recebi as surpresas mais inimagináveis e ao mesmo tempo esperadas que eu sempre fiz questão de oferecer. Ouvi, sem nunca ter pedido, o que um dia eu disse como prova de companheirismo.


Não há idade e aparência. Como se mede o amadurecimento de um sentimento? Esse é como o espírito de um ancião que também habita o corpo jovem. Reencarnacionamentos existem. E quem não acredita para vivê-los com consciência de seu comportamento passará a eternidade se revirando no umbral.



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2 comentários:

Maria Tereza Marçal disse...

Entendi...ou não, né? Enfim,um enigma com gosto de "pois é, meu filho...é isso ai mesmo." kkkk

Olha, eu creio que numa vida anterior eu fui muito...muito má, fui mau caráter, do ponto de vista moral e afetivo. E fui com meu ex-marido, devo tê-lo feito um mal enorme, um atraso milenar na felicidade dele. Logo, ele atrasou a minha felicidade. Mas claro: com minha permissão.

Agora é lidar com os prejuízos e chorar na cama, que é lugar quente. Ou no sofá, vendo um filme de amor, numa noite de sábado. Mas o bom da coisa é que tudo isso vai virar poeira cósmica...nada é eterno.

Adorei a temática, amore. Beijim.

Matheus Farizatto disse...

E eu adorei a "poeira cósmica" como "o que sobrará de nós" hehe.

O lance que coloquei é como, numa mesma vida, sentimentos e situações que vivemos com nossos ex namorados reencarnam algumas vezes nos atuais como forma de nos fazer evoluir.


Um beijo, Mary. ThankU.