quinta-feira, 19 de junho de 2014

Viajar até Marte cansa

“Os Homens são de Marte... E é pra lá que Eu Vou” confirma
definitivamente que a vida é que inspira o cinema

Marte é logo ali. Para as mulheres que querem a qualquer custo estar em um relacionamento, é bem pertinho. Se disser que os homens foram para Pandora, lá vão aquelas, as desesperadas.

“Os Homens são de Marte... E é pra lá que Eu Vou” é um filme leve, gostoso de assistir, rende cinco risadas provocadas pela atriz Mônica Martelli e dez pelo ator Paulo Gustavo. No longa, a personagem Fernanda (Mônica) tem 39 anos e reza para todos os santos para encontrar um homem e deixar a vida de solteira. E se alguém tinha dúvida sobre a vida imitar o cinema ou o cinema imitar a vida, esse filme confirma que definitivamente a vida é que inspira essa arte.

Já cansei de ver mulher “bem resolvida” se apavorar ao chegar aos 30 anos, solteira. Vira a chave. É possuída por uma Entidade de Urgência que a faz buscar por um companheiro com dedicação dia e noite. Se o assunto for ter filho, então, vale tudo.

Uma amiga esteve em um casamento na semana passada. O caso: uma colega dela que depois de muito se desapontar com os homens, reencontrou e se apaixonou – por acaso – por um de seus primeiros namoradinhos. Estão juntos há um ano. Ela, grávida de cinco meses. Ou seja, aos seis meses de relacionamento tratou de “fazer a vida acontecer para uma mulher”. Sua idade? Adivinha? Mais de 20 e menos de 40 anos. Com você: preencha o espaço: essa mulher tem __ anos.

O que eu achei o máximo no filme é o jeito de mostrar como as pessoas realmente veem as coisas da forma que querem que seja. A frase “Ai, agora eu estou sentindo que é diferente” é repetida por Fernanda a cada novo homem que ela conhece. A clássica interpretação do recado deixado pelo cara na secretária eletrônica e o que ele quis dizer com aquele “tom de voz” é uma das cenas que sua amiga – para não dizer você – já interpretou e agora vai sair em DVD na versão Mônica Martelli.

Quando Fernanda se entrega a um gringo que conhece em uma viagem à Bahia, ela se cansa. Passa a morar com o alemão a pedido do cara e então tudo se torna chato. Não era um namorado que ela queria? Aqui está! Mas não flui.

O grande lance é mesmo relaxar. Não tem frase pronta ou conformismo do tipo “não era pra ser” que ajude em começo ou fim de relacionamento. Planejar o que dizer, qual roupa usar e onde frequentar não trará algo saudável.

Gostoso é não saber se vai dar ou não para o cara na primeira noite, é não ensaiar o beijo de despedida no carro e receber um no rosto ainda mais gostoso do que se fosse na boca. Não se preocupar em pedir ou passar números de celular e quando perceber, vocês estarão dormindo juntos, sem maquiagem ou outros artifícios. O espontâneo sempre acerta.



2 comentários:

Maria Tereza Marçal disse...

Delícia de texto....amei. E continuo louca pra ver este filme, já que aqui em Itaúna City não tem cinema e tenho que ir pra BH ou Divinópolis.

Vejo com a leveza dos meus 5.0 o quanto uma mulher sofre por acreditar e pautar sua existência e projetos de vida no mito do amor romântico. Hoje sei que amor tem prazo de validade...talvez por ser muito mais um produto de nossas projeções e fantasias que de fato, um sentimento real, existível.

Outro dia quase apanhei no face porque falei tudo isso kkkk o povo insiste em projetar no outro suas carências e vazios e tem muita gente que não aceita opiniões de quem já viveu muita coisa. Sai ilesa kk

O amor em que eu creio é justamente esse...que você traduz no último parágrafo: um amor que eu não precise usar batom 24 horas por dia e possa continuar dormindo feliz e sozinha, escarrapachada na minha cama nova pós-divórcio. Amor de beijo bom, sexo sem culpas e preocupações. Amor de rugas e celulites, amor de cara lavada. Será que isso existe, gente? kkkk

beijosssssssss, amore.

Matheus Farizatto disse...

É claro que este amor "sem produção" existe, Mary! Esse sim é o verdadeiro, o existível.

O povo realmente insiste em projetar no outro suas carências e vazios. Eu também não entendo o jeito que as pessoas colocam como prioridade-que-tem-que-acontecer esse lance do amor projetado rss.

Acontece ou não. E o amor pode estar em nossas vidas do mesmo jeito. Sei que está na sua, minha linda.

Meu beijo.