quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sobre a crônica "Mulheres solteiras"

Hello, kitties! Ontem li a crônica "Mulheres solteiras" enquanto a mulherada compartilhava no Face em tom de “protesto/chega disso” e, sinceramente, acho que as meninas estão dando murros em ponta de faca se comportando como se tal postura da sociedade/homens/sei-lá-quem não tivesse nada a ver com a postura delas mesmas.

O texto fala sobre como é chato as mulheres serem vistas com pena quando solteiras e algo como “quem disse que precisamos de relacionamentos para sermos felizes?”. Quem? Vocês mesmas (risos). Calma... Explico.

Trata-se da velha história: a vida imita o cinema ou o contrário? As mulheres são questionadas desta forma porque a maioria se comporta assim. Assim como? "Ah, um dia eu ainda vou arrumar alguém". De verdade, me digam que menina vocês conhecem que bate a mão no peito e diz "sim, eu adoro e não tenho problema algum com sexo sem compromisso". Nomes?

Qual – sem cruzar os dedos – fala para quem quiser ouvir que não se importa em envelhecer sem um casamento? Para mim é simples assim. E os homens não são cobrados – entre outros motivos culturais – justamente por não se comportarem de tal forma.

Quantas e quantas vezes eu ouvi de amigas: "tenho medo de ficar sozinha"; "nossa, já tenho trinta anos, preciso me casar"; ou, a última que jogaram no meu colo, "nossa, Matheus, até você está namorando, só falta eu arrumar alguém".

Agora, POR QUE, as mulheres se comportam assim é que é o grande lance para se pensar. Boa discussão.

E cata a crônica.


Mulheres solteiras
  
O assunto está em alta. O Huffington Post publicou uma série de textos chamada “o que eu sei sobre ser solteira” aos 20, 30 e 40 anos. O tema é sensível, porém necessário. Dia desses, uma amiga disse que estava saindo com um cara que falou para ela – veja bem, durante o encontro – que toda mulher de 30 anos (a idade dela) só pensa em se casar. Ela, claro, saiu em defesa das mulheres e de si própria. Por um triz, não respondeu: “Olha, eu até estaria casada, mas só me aparecem homens como você”. Mas se segurou. Será que deveria?

Pessoas, vamos lá. Amar é muito bom. Ter alguém para dividir as dores, delícias, contas, dificuldades, alegrias… alimenta o sono, o corpo, tudo que nos faz saudáveis e felizes. Um cobertor de orelha é maravilhoso – e digamos que a vida fica tão mais cinza sem uma historinha de amor para contar…  A grande questão levantada por esses textos não é amar ou não amar. Para isso todo mundo tem a resposta. O questionamento é “por que muitas mulheres só se sentem realizadas (enquanto mulher) se têm um homem ao lado?”. E quando não se está com alguém (mesmo que não seja um namorado strictu sensu), é como se você tivesse de se desculpar o tempo todo e dizer “o problema não é comigo”. A justificativa faz parte do dia a dia da mulher solteira, que, mesmo sem perguntar nada, escuta de tudo. “Você é muito inteligente, isso assusta os homens”; “Você tem personalidade forte, isso assusta os homens”; “Você é autêntica demais e assusta os homens”. A lista de baboseiras é infinita. Não acabam justificativas esdrúxulas para julgar uma mulher solteira. Não preciso nem dizer que o contrário não vale. Um homem solteiro não tem nem de esboçar uma frase sobre seu estado civil. Ninguém se dá o trabalho de perguntar.


Poxa, a maioria das pessoas não quer só um companheiro (namorado/marido), mas um encontro amoroso, não é verdade? E digamos que isso não é uma das coisas mais fáceis de se esbarrar na vida. Algumas mulheres – é preciso dizer – namoram/ficam/casam sem amor, só por medo de ficarem sozinhas e ter de responder ao mundo – e a elas mesmas – essa pergunta chata: “Nossa, mas vocêêêê, solteira? Porque, se é tão bonita?”. É muito cruel. Em uma palestra, recentemente, uma escritora contou o caso de uma grande executiva que era solteira, mas usava uma aliança só para se sentir mais respeitada no seu meio de trabalho. Repito: no meio de trabalho. Quer dizer, uma mulher solteira é menos competente do que uma casada? Ou será que ela faz isso para fugir da visão estereotipada “bem sucedida, mas sem vida pessoal”? A que ponto nós chegamos?

Cameron Diaz, pasmem, também passa por situações embaraçosas. Aos 41 anos, a atriz deu uma entrevista para a revista Self deste mês, em que afirma que a sociedade e a mídia são “chauvinistas e misóginas” ao retratar mulheres solteiras como sendo “incapazes de segurar um homem”. Só para lembrar: estamos falando do século XXI. A atriz ainda afirmou: “É assustador para uma mulher terminar um relacionamento, porque sempre será culpa dela, como se fosse algo que ela deixou de fazer. Nunca ao contrário. É como se sempre me falassem que eu agi de forma inapropiada com os homens”, disse.

Talvez essa seja uma das formas mais cruéis de machismo. Não se trata da cantada vulgar, opressora. Não é tão explícito. Mas está na cara dos homens e mulheres que olham para as solteiras de cima abaixo, perguntando silenciosamente “Qual será o problema dela?”. E é preciso dizer que muitas mulheres passam a acreditar nessa narrativa de que você só será uma mulher completa com um homem do seu lado. Não é bem por aí. Viver um amor, ter um casamento feliz, buscar um parceiro, claro, é tudo fonte de felicidade. Entretanto, achar que toda mulher solteira está triste, jogada na cama, esperando um homem que a tire dessa condição imprestável está bem longe da realidade.

A verdade é que não há razão nenhuma para alguém estar solteiro. Às vezes, é uma escolha; às vezes, uma contingência; às vezes, questão de momento. Uma pessoa pode querer ficar sozinha, pode ter terminado um namoro ou simplesmente pode estar tentando com as pessoas que não lhe despertam interesse. Isso não faz dela infeliz. É preciso parar com esse “bullying social”. Com a enxurrada de lugares-comuns de que uma mulher solteira está sempre procurando alguém. Às vezes, está. Às vezes, não. Oras, é uma escolha dela. Não se trata de incapacidade de “segurar o homem”, de ser recalcada  e nem de “dificuldade de se relacionar”. Pode ser apenas a decisão de não fazer um pacto com qualquer coisa que a deixe infeliz.

Twittter da autora: @maneustein

4 comentários:

Nathalia Costa disse...

Desculpa mas discordo de você. A maioria das mulheres se preocupam tanto com isso porque crescem numa sociedade machista e patriarcal, onde você estando sozinha vale menos que uma acompanhada. Passei muito tempo solteira na minha vida, e só comecei relacionamentos quando de fato estava interessada, o problema é que sempre me perguntavam sobre o namoradinho, as pessoas chegaram a me tachar de lésbica por isso. E não, não podemos bater no peito que gostamos de sexo casual e de simplesmente curtir, como sempre fiz, porque para a sociedade somos consideradas mulheres impróprias. Então eu até entendo sua posição, mas acredito que o buraco é muuuuito mais embaixo. E se procuramos tanto um homem, é porque crescemos com as pessoas cacarejando no nosso ouvido que devemos casar, parir e ser feliz. E por mais que eu seja heterossexual, compromissada e sim quero me casar e ter filhos, não acredito nessa patifaria de sermos feliz só assim. Mas infelizmente a sociedade acredita e esfrega isso nas nossas caras e mentes.

Matheus Farizatto disse...

Uau, Nathalia, eu adorei o seu comentário! Tão difícil chegar algo assim.

E o melhor é que você realmente passa a sensação de bater no peito pelo o que acredita, ao mesmo tempo que tem consciência de onde está pisando - aqui é a sociedade.

Concordo com você sobre o buraco ser muuuito mais embaixo. Começa com as brincadeiras de boneca e a mão cultural pesada sobre as mulheres. Vide os encontros de família, como você bem disse.

O triste é pensar que talvez mesmo com a maioria das mulheres tendo a consciência que você tem, será que isso será o bastante para mudar aos poucos algo tão enraizado? Eu gostaria que assim fosse.

Thanks demais pelo comentário.

Um beijão

Brendha Cardoso disse...

Eu concordo com o comentário da Nathalia. Nos, a maioria das mulheres, somos criadas com essa visão de "casamento sendo um objetivo a se alcançar". Os temos estão mudando, alguns pais não passam mais essa mensagem, mas a grande maioria continua criando filhas pra casar e fazer o que o marido quiser.

Eu namorei durante quase um ano com um rapaz que era gentil, carinhoso, fiel, gostava muito de mim e me tratava muito bem, mas ele tinha sido criado num mundo onde o marido sai pra trabalhar e a mulher fica em casa cuidando dos filhos e limpando a casa. Eu, com 18 anos, não tenho nem cabeça, nem disposição e muito menos vontade de largar tudo (inclusive minha faculdade, odontologia) pra virar "esposa". Cai fora do relacionamento quando eu vi que não tinha mais jeito e estou... Solteira! Agora você me pergunta se eu estou mais feliz agora do que estava namorando e eu respondo que sim, estou muito mais feliz agora. Posso sair, conversar com amigas, ter certeza que estou cursando uma boa faculdade e no futuro poderei trabalhar, ser independente e, se aparecer um amor, casarei. Mas nada de ficar em casa e ele sair pra trabalhar. Esse machismo comigo não cola.

Minha família, em sua maioria, me apoiou na decisão, mas minha avo fazia muita força de que ficássemos juntos. Tive uma conversa franca com ela e expliquei tudo o que te disse hoje. Acredito que ela tenha entendido, porque depois não falou nada mais de "você tem que fazer de tudo pra aguentar, ele vai ser teu marido."

Enfim, falei demais.
Adoro o blog :D

http://querido-diari1.blogspot.com.br/

Matheus Farizatto disse...

Que delícia de comentário, Brendha. E dividir experiências relevantes nunca é falar demais aqui no VJ (risos). Eu adorei esta sua.

Ai... As avós... (risos). Também não podemos culpá-las, certo? Mas a sua postura de conversar abertamente com quem for preciso para você jamais se forçar à algo que não acredita foi sensacional - mais ainda se tratando de uma lindona de 18 anos. You go girl!

O grande - e difícil - lance para as mulheres é não só enxergar estas possibilidades que possuem hoje para não dizer amém às "avós" da vida, mas principalmente conseguir se colocar sempre que preciso.

Que bom que curte o blog. E eu adoro te ver por aqui.

LUvy.