segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Garra

Se apaixonar é algo que acontece de forma completamente
espontânea ou é preciso dar uma forcinha?


“– Quem está no comando?”
“– O Gaaarraa... O Garra é o nosso mestre. Ele quem decide quem vai e quem fica – Shhh... Olha, O Garra está se mexendo...”.

A conversa está em uma cena do filme “Toy Story”. Ao serem questionados pelo patrulheiro espacial Buzz Lightyear sobre quem decide as coisas por ali, os minimarcianos de brinquedo respondem em uníssono que “O Gaaarraa” é quem escolhe quem sairá da suposta “nave” em que os pequeninos de borracha vivem.

A nave na verdade é uma daquelas máquinas de pescar brinquedos em que eles ficam amontoados e você movimenta a pinça – O Garra – rumo a eles na tentativa de apanhar um e levá-lo ao compartimento, sem deixá-los cair antes.

Trocando os brinquedos por pessoas e a nave pela vida, como esperar que O Garra nos escolha para viver um novo amor? É possível que Ele jamais se movimente se ficarmos encarando-o, esperando que isso aconteça?

Em visita a um amigo na capital paulista, a conversa de bar levantou a questão: se apaixonar é algo que acontece de forma completamente espontânea ou é preciso dar uma forcinha?

Para mim, simplesmente acontece ou não. Bate aquela coisa que talvez possamos chamar de “possibilidade”. Rola logo de cara. Não tem explicação. Pode começar pela afinidade com aquilo que esperamos em alguém – mesmo que lá no subconsciente. Atração física? Não só. O sorriso. O jeito de te olhar. De você olhar de volta. Ah, o sorriso. De repente, a pessoa te toca pela primeira vez para dizer algo, chegando cada vez mais perto. Uau! E então está aqui, no meio de nós. Alguém viu de onde veio? Estou apaixonado.

Na opinião do meu amigo, não é assim que o cupido flecha. Para ele muitas vezes nosso possível novo amor está bem ao nosso lado, basta se permitir olhar para tal pessoa de forma diferente, fazendo com que – após insistir em alguns encontros – as coisas aconteçam.

Por preferência, experiência ou adorar as animações da Disney, eu escolho a teoria d’O Garra. Quando menos esperamos, de dentro da nave, ele nos escolhe. Apanha quem está ao nosso lado. Aquele um pouco mais à frente. Mas desce até nós e nos leva a uma pessoa que, do lado de fora da máquina, depositou sua ficha e fez com que O Garra se movimentasse em nossas vidas.

Ai de quem fica encarando O Garra! Cobrando diariamente que Ele o escolha. Não força a barra! Ser gentil também não rola. Nada de paparicar! O grande lance é relaxar. Querer ser escolhido um dia? Sim. Viver pensando nisso, não.


Quando formos içados pelo O Garra e chegarmos até o compartimento para sair da nave, tenha a certeza de que é só porque alguém que realmente te levará para casa depositou sua mais valiosa ficha em você.



(Imagem: the_claw_by_kevichan)

6 comentários:

Tássia Beig disse...

Sorte a nossa sermos "aGARRAdos", não é? Amei o texto, a comparação e as boas energias implícitas nele. Beijão

Matheus Farizatto disse...


Sorte a nossa, Tá. Adorei o "aGARRAdos" rs rs.

Obrigado demais pelo amor de sempre, minha linda. Beijo.

anjosleonardo disse...

hauhauaauhauahauahauhauhaua
Garraaaaa!!!

Adorei.

Mas você sabe, sou adepto as duas teorias, acredito que o nosso destino é a gente quem faz, seja ele ali ou cá.

Mas ainda estou bravo porque você sumiu por estar apaixonado, rsrs...ok, ok...te perdoo.

Matheus Farizatto disse...


Obrigado pelo "perdão", Léo! rs rs.

Legal esta história de quem faz o nosso destino. Também acredito nisso – de que somos nós os responsáveis. Ao mesmo tempo que acredito e adoro o empurrãozinho do acaso que nos mostra que, às vezes, a gente não decide p**ra nenhuma rs.

Thanks pelo comentário.

Anônimo disse...

adorei
sem contar que vc eh lindo

Matheus Farizatto disse...

Obrigado. E obrigado rs.