quarta-feira, 10 de abril de 2013

Tão muito demais




Dá um medo pensar em doença, né? Sei lá, comigo depende. Mas geralmente é assim: quando estamos super bem, saudáveis, dispostos, quando acordamos cantando e tomando café na sacada, sempre parece mais fácil falarmos de algo ruim do tipo. Por exemplo, quando a situação é esta de bem-estar, rola algo como “ah, gente, o câncer é ruim, mas a gente tem que aceitar com serenidade e, se lutarmos com otimismo, venceremos este aprendizado e com certeza seremos pessoas ainda melhores depois da doença”.

Basta dar uma dor nas costas e a coisa muda. Uma gripe que seja. É cair com febre na cama que o lance vira “nossa, ainda bem que só estou com uma virose. Tem gente por aí que tem leucemia e ai, credo”. Se o resfriado não passa, é certeza que quem não tem um deus arruma para começar a orar e a pedir pela saúde de volta.

Meu último pesadelo se tornou penúltimo. O câncer é infeliz, mas, pra mim, pior é o alzheimer. Gente, de repente, você começa a falar nada com nada e não reconhece mais as pessoas. Perde o controle sobre o seu próprio banco de dados. “Como-an-cim”?

Horroroso. Mas mesmo estando na categoria “doenças filhas das putas que não temos como evitar”, estive pensando em uma tão ruim quanto e que também nos mata diariamente sem que notemos: o excesso.

Nem polivitamínico resolve. Pode tomar vitamina C até ficar laranja – um colega de um amigo diz que antes de ir pescar toma três pastilhas e no outro dia mosquito nenhum chega perto. Anotou?

Sobre o excesso na minha capacidade mental, leio tanto que já não sei qual colunista comentou o que ou onde tal assunto foi publicado. Quanto mais filmes assisto, mais pronuncio errado os nomes do atores gringos. Quanto mais gente no Facebook, menos eu guardo quem são com aquele monte de nomes e a troca constante de fotos do perfil. Não é alzheimer mas é tão muito demais que também está acabando com a minha memória.

Há pessoas fazendo tanta coisa ao mesmo tempo que quando precisa escrever seu nome, erram. Se não acredita, pare de ler e nunca mais procure qualquer conteúdo meu, pode ser? Porque agora será assim: quanto menos, melhor.

Sou jornalista e não dou a mínima para saber que profissional está onde e quem atirou em quem no Sudão. Se não me interessa nem percebo. Se uma hora precisar, Google na necessidade de saber algo.

Estou cortando o excesso e abraçado com a despretensão. E quanto às leituras e aos filmes, vou manter porque é só o que realmente me importa na tranquilidade de que amanhã, por alzheimer ou qualquer outra bobagem, posso não me lembrar mais.


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