sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sério, que preguiça


Talvez a farsa seja o grande segredo
dos verdadeiros casamentos
Que preguiça. Está difícil passar o olho em algumas postagens que dizem coisas como “te amo, linda” ou com aquela foto “eu, meu marido e filhos; família, base da minha vida” nas redes sociais. Está complicado jantar na casa de um casal. Pior ainda comparecer a um casamento ou batizado. E não adianta convidar que não serei padrinho de filho de amigo algum. Que preguiça me bate a farsa da família feliz.

“Se as pessoas soubessem o que as outras fazem entre quatro paredes, ninguém se cumprimentaria na rua”. Frase de Nelson Rodrigues.

Afinal, por que em tempos tão escancarados como os de hoje, o “viver de fachada” segue com força total nas eleições da sociedade? Que preguiça. Falta afinidade ao ver pessoas apresentando sei lá para quem a família feliz que construiu enquanto também constrói secretamente encontros “proibidos” pelo casamento. Amém.

Talvez este seja um bom momento para eu me afundar no trabalho de Nelson Rodrigues. Nunca li uma obra sequer deixada pelo jornalista que completaria 100 anos este ano. Assisti a uma adaptação de suas peças, “Vestido de Noiva”, e o conheço pelas publicações que dizem sobre sua crueza ao falar do comportamento humano. Quando a série para televisão “A Vida Como Ela É” foi exibida, na década de 1990, eu era jovem demais para acompanhar a “nudez” dos episódios. Este ano produção é reprisada aos domingos em homenagem ao aniversário do autor.

Assistindo ao programa “Saia Justa”, os participantes falavam sobre amizade e tudo o que pesa em uma. Para mim, a colocada de mestre ao explicar o que motiva a relação entre grandes amigos foi esta: a afinidade.

“Amizade não deve ser cobrada e, quando verdadeira, não importa o tempo que fiquem sem se encontrar, o papo entre bons amigos recomeça de onde parou” – comentário da atriz Maria Fernanda Cândido. Concordo e ainda mando uma cesta de café da manhã.

Porém, meu presente é de pouca afinidade com muita gente, amigos e desconhecidos. O que é mais fácil? Planejar uma traição ou dizer à pessoa “amada” que existe um problema e a relação não está funcionando? Sua resposta é nossa afinidade, entre mim e você, ou a ausência dela. Me daria ou tiraria essa preguiça que sinto?

Os casais não podem conversar sobre sexo a três para matar o desejo de transar com outra pessoa, mas podem fingir que são fiéis enquanto chupam outra genitália. Não entendo. Que preguiça.

“É da natureza humana”, se explicam. Conversar de forma inteligente também deveria ser. Talvez a farsa seja o grande segredo dos verdadeiros casamentos. Para compensar, o "infeliz" aqui, já foi e voltou cinco vezes com seu companheiro, justamente por encarar todas as dificuldades que existem nos relacionamentos.

Me identifico com a sinceridade da conversa de uma amiga que vai casar e ouviu do marido que ele gostaria que ela emagrecesse um pouquinho para continuar a gostosa de sempre. Precisaria de o cara falar assim? Ele poderia deixá-la roliça e procurar na rua a delícia ideal do sexo enquanto sua esposa assisti ao novo DVD "A Galinha Pintadinha nº 173" ou "Patati Patata PaPQP" na tentativa de fazer o filho parar de chorar.

Me identifico com aquele que não assume um namoro por saber que não conseguiria ser fiel. Com o amigo que confessa seu tesão por meninas mais novas – “branquinhas gordinhas e morenas de pernas grandes”, ao falar sem medo de ser julgado.

Me identifico com a amiga que fica com vários, mas não apresenta algum para a família por achar que seria forçar a barra namorar alguém só para não ficar sozinha.

As pessoas mudam e, naturalmente, as afinidades também. Para aqueles com os quais não me identifico por viverem de fachada, só lhes restam a minha preguiça.


5 comentários:

Maria Tereza disse...

UAUUUUUUUUUUUUUUUUUUU tô bege, de bolinhas. Meu amor, olha...sou contra os votos de fidelidade total no casamento, sou contra o comer um quilo de sal diariamente, já falei disso. Mas pra mim, me casar sem vestido de noiva já foi um "evento", quase fui excomungada pelas minhas tias. kkkkkkk meus pais aceitaram na boa. Meu marido comemorou: essa é a mulher que eu quero comer forever...
kkk Eu amo meu marido, mas posso amar outro homem porque o amor é grande e vai além do colchão de amar...entende querido?
Conseguir conversar com o marido e falar tudo é fundamental, mas vou te dizer: nem isso assegura que não haverá desejo e amor por outro.
E o casamento está instituído e nasceram os filhos e há amor.E a gente segura o tranco, segura a onda. Não é fácil. Não mesmo. Não é tão simples assim...

Beijo meu queridooooooo!(pra vocês)

Rodrigo Ziviani disse...

A farsa não é o segredo dos verdadeiros casamentos. Todo casamento, da forma que a gente conhece, é uma farsa. Triste.

Matheus Farizatto disse...

É isso aí, Maria Tereza, mesmo com tudo já rolando nos conformes, é inevitável a possibilidade de se atrair por outro. Sinceridade é fundamental.

VJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJ

Ro, 8 ou 80! Conheço casais que se casaram no modo "tradicional" e adaptaram a receita para viverem bem. Pede esforço e transparência das duas partes, mas é possível.

VJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJ

Thanks ;)

Lu Rosário disse...

O casamento é um contrato que nasce para permanecer sempre. No entanto, é difícil mantê-la da forma mais sincera. A farsa parece fazer parte, sim, de todo casamento. Infelizmente. Mas acredito, também, que há casórios que dão hiper certo no sentido de um se confidenciar para o outro.

Sabemos que tudo nessa vida é relativo e ninguém é igual ao outro.

Um beijo.

Matheus Farizatto disse...

Oi, Lu.

Também acredito que estes casais que REALMENTE abrem o jogo existam.

"O casamento é um contrato que nasce para permanecer sempre". Esta é a ideia e a maior cruz da ocasião. Acho que este é um ponto que pressiona os casais a "esconder o jogo" em nome do "TEM QUE DAR CERTO!".

Complicado.
Adorei seu comentário. Obrigado.