terça-feira, 14 de agosto de 2012

Amor Genérico




"Vocês dois são a maior prova de que qualquer um pode ‘levar’ um namoro"

Conheci as teorias da psicanalista e escritora, Regina Navarro Lins, no ano passado, em uma entrevista que li. Quando terminei o mergulho em seus pensamentos sobre a monogamina estar com os dias contados, o casamento convencional ser uma furada e o amor ser algo que inventamos, pensei: quem é essa, que veio do futuro para nos permitir viver melhor os relacionamentos do presente?

Ela chega a atingir o extremo. No bate-papo que li, comenta que seu casamento atual funciona muito bem, pois é aberto. Ambos podem ter sexo fora da vida a dois, porém – e aqui tive a prova de que ela tem coração, sim – nenhum comenta sobre o que rolou e com quem. Ganhou a swingueira?

Tiro foto junto para postar no Facebook quando casais encontram seu próprio jeito de viver o relacionamento, sem seguir os padrões da “Família Feliz”. Admiração e extinção. Concordo com a psicanalista ao analisar o mundo atual como cada vez mais individualista e cheio de possibilidades, e que, neste contexto, a melhor forma de curtir uma vida a dois de forma saudável seja chegando ao consenso sobre nossas necessidades e desejos.

Por outro lado, pensei muito sobre a afirmação de o amor ser uma criação nossa para satisfazer algo que idealizamos. Penso e repenso. Bato o pé e me decido: desculpa, sua louca, mas aí eu discordo.

Amor não se curte, cutuca ou twitta. Acontece. Como título de comédia romântica. Não há onde assinar ou boleto para pagar esta compra. Surge. Porém, vejo exemplos de pessoas que criam amor. Como se tivessem a fórmula de uma produção genérica, cultivam uma vida a dois que poderia ser com qualquer outro. Tome sua pílula de Amor Genérico.

Há mais de um ano, certo amigo reclama semanalmente do namoro com sua lindaça, com a qual divide o mesmo teto. Em tradução livre, “ela não tem nada a ver comigo” é o que ouço durante o café.

Certo dia, em vez de procurar ajudá-lo mais uma vez a resolver a situação, eu os abençoei. Disse, “para mim, vocês dois são a maior prova de que qualquer um pode ‘levar’ um namoro ou casamento”. Ai! Me dá um abraço, Regina Navarro?

No caso desse lindão, o cara namora desde os 16 anos e assume que não gosta de ficar sozinho. Dá-lhe caixas e caixas de Amor Genérico.

No apartmanento de uma amiga, ouvi a mesma confissão, “assumo que preciso de alguém”. Minha vontade não foi ir embora e, sim, jogá-la de cabeça lá de cima. É o cúmulo da falta de autoestima.

Agora, esta e uma outra amiga – que também pede seu Adão a Jesus – coincidentemente, conheceram cada uma um cara e estão desinteressadas. Não sabem até que ponto vale tentar o quarto encontro para descobrir se realmente isso tudo pode virar um namoro.


Meu comentário é o mesmo para ambas: se quiserem, estes podem ser seus futuros maridos. Dou atestado para a lua de mel e receita com prescrição de doses diárias de Amor Genérico para levarem a tal vida que sonham. Alguém mais?


9 comentários:

Maria Tereza disse...

Bravooooooooooooo!

Não sou a Regina (diga-se de passagem, sou leitora, fã, sigo no face e visto camiseta se for preciso). Levei 22 anos do meu casamento pra descobrir que não era feliz sexualmente e se eu tivesse conhecido os estudos de Regina há mais tempo teria acordado para minhas questões sem precisar sofrer tanto...
Sou contra o casamento tipo: festança da pajelança, lua de mel seja onde for e depois, dá-lhe um quilo de sal para comerem juntos e ainda achar que a comida tá ótima. Não não...nunquinha, never more. Acredito no namoro, na relação, na paixão sem juntar escovas e sem conta conjunta. Casas separadas e muito tesão e amor quando é possível ficar juntos por QUERER e não porque assinou-se um contrato.
Descobrir que sinto isso, penso isso...foi algo muito revelador e transformador pra mim. Continuarei casada, mas hoje estou a caminho da liberdade que eu preciso. (Meu blog Ponto e Vírgula representa isso...). Mil beijos, Fioti. Te amo, véi...kkkkkk

Matheus Farizatto disse...

Meu Deus, você é o ÁPICE da evolução da espécie. Me inspira, me orgulha.

Mais plenitude, menos padrões sociais.

Amo, Marie Therizzie!

Larissa Mango disse...

Gostei do "Amor genérico"! Ou, poderia ser também, amor conveniência, amor zona de conforto...
Aí está a diferença dos relacionamentos, ou assumir o que se quer na essência e ter a coragem de buscar, ou viver aprisionado o resto da vida fazendo de conta (pra não perder aquela chance de postar a óóótima família Doriana no facebook) que está tudo bem.
É mais do que uma escolha, é assumir as rédias da própria vida.
Bjos seu lindo!
Saudades!
Larissa

Daniel Candido disse...

Queridão,
Adorei o texto. Claro, como sempre, pega nas feridas de muitos.
Infelizmente nos deparamos (e muito) com "amores genéricos". O pior é quando vc vive um amor verdadeiro e a pessoa opta pela generalização, ou seja, qualquer um em seu lugar faria o mesmo ou até melhor.
Mentira.
Mas enfim, rs, só um desabafo!

Saudades de ti!
Abração! =)

Rodrigo Ziviani disse...

Vamos por partes. Não gosto da ideia de casamentos abertos demais. Para mim, jamais funcionaria. Mas acho que cada casal pode chegar a seus próprios termos, desde que isso faça os dois felizes.
Quanto aos amores genéricos, arrisco a dizer que são 90% do que a gente vê nesse mundo e 100% do que vejo no Facebook. O verdadeiro amor é raro e não precisa de propaganda. Sou mil vezes passar a vida sozinho - e muito bem, obrigado - a me entregar a um relacionamento medíocre, fake, só para dar uma satisfação social e tapar buracos sentimentais (que, assim, jamais serão supridos).
Gostei do texto, Má. Mas faça uma revisão. Tem alguns errinhos de pontuação, concordância e digitação. Não me mate! #ficaadika.
Bj.

Matheus Farizatto disse...

Lari, Linda, Loira, é desta "óóóóótima" referência que estamos falando rsrs.

Tem pra quem quiser o "amor conveniência, amor zona de conforto".

Você que é SENSACIONAL! Que saudade. Um beijo.

VJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJVJ

Dez-A-baphe, sempre, Dani!

Achei tenso: "pessoa opta pela generalização, ou seja, qualquer um em seu lugar faria o mesmo ou até melhor". Mas entendi e sabemos como funciona.

Esse tipo toma de 5 a 10 pílulas de Amor Genérico ao dia.

Um abraço enorme.





Matheus Farizatto disse...

Hahaha, não te mato, Ro!

"O verdadeiro amor é raro e não precisa de propaganda" - NÚH! Muito bem! Estou 100% com você.

Meu Deus, me dá uma preguiça revisar meus textos... rsrs. Mas farei pelo bem dos leitores.

Beijão, monstro!

Lidiane Franqui disse...

Olá Matheus!

Bendito concurso do Cia dos Blogueiros que me fez conhecer seu blog! ;) Muito bom!

E quanto à temática... muito polêmica não é?! Não vou entrar na questão do pode ou não pode e do melhor ou pior, mas e coisa de se assustar o quanto as pessoas são carentes! Precisam a todo custo "arrumar alguém". Sentem uma necessidade assustadora de estar com alguém. Vejo também minhas amigas com cada pensamento!

Me assusta. Afinal, amor acontece mesmo. E essa dose de genérico tem gente até se matando pra conseguir.

Vai entender a cabeça dos outros.. rs.

Grande abraço!

Matheus Farizatto disse...

Oi, Lidiane. Que bacana saber que chegou ao VJ com o concurso do Cia dos Blogueiros.

Pois é, gente desesperada é o que mais tem. E pelo o que vejo, as mulheres são maioria nessa MARATONA pelo "Tenho que Ter Alguém".

Adorei seu comentário. Seja bem-vinda ao VJ. Obrigado. Um beijão