segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Banheiros e cia





Já vi quem não consiga dormir fora de casa. Ou que precise ao menos do “cheirinho” de seu travesseiro. Usar o banheiro também é um caso clássico. Principalmente para o “número dois”. Tem gente que “trava”. Eu não. Nem nos primeiros casos nem neste último. Meu único freio de mão são as companhias que surgem nos banheiros coletivos. Aí vai.

São nos banheiros - especialmente nos da empresa - que ocorrem as maiores inspirações para esta crônica. Do mesmo jeito que meu intestino funciona como um relógio, funciona também a equipe de limpeza da organização em que trabalho.

Fato 1: logo após o café da manhã na empresa, bate aquela vontade de ir ao banheiro e, se demoro, minha pressão cai e fico até com a boca branca. Sério.

Fato 2: logo depois do horário do café na firma - meu pai fala “festa da firma”- as funcionárias da limpeza arrastam os cestos de lixo dos banheiros para as portas como sinal de “passa depois” e começam a limpar TODOS os toaletes AO MES-MO TEM-PO. Simultaneamente nos pisos: térreo, primeiro e segundo andar. Sério de novo.

Isso ocorre de segunda a sexta-feira. Eu já até sei que vou me deparar com a nuca da funcionária da limpeza que passa pano no chão enquanto eu chego em ponto de descarrego. Mesmo assim, eu tento.

Dou meia volta. Firmo. Volto para a minha mesa. Espero. Me distraio. Espero. Corro!

Fato 3: depois do café servido na empresa e da faxina toda, os funcionários vão ao banheiro para escovar os dentes. Companhia. Travo!

Mesmo assim, entro no banheiro, me tranco no reservado e flerto com a louça, ainda molhada, que brilha embaixo de mim. Espero. Atento a cada som, ajo como se fosse um X-Man com o poder de entrar na mente de cada funcionário e fazer com que eles batam em retirada. Às vezes parece funcionar. Só então sento, me ajeito e mando ver! Feliz, confortável e à vontade.

Um dia estava tão à vontade que, depois de “mandar ver”, me preparava para “terminar o ‘sirviçu” quando... Ouço assovios, o som da descarga automática do mictório, torneira, "tchof tchof" pra sair o sabonete líquido, torneira de novo e duas puxadas no papel toalha – pois duas folhas são suficiente: alta absorção!

“Póc”, tudo escuro e a porta do banheiro range fechando. Eu sentado, pronto para “finalizar” e não enxergava nem o trinco da porta a dois palmos do meu rosto. Fiquei. Pensei. Imaginei se valeria a pena esperar alguém entrar e acender a luz. Ótimo! - Não! - Ótimo nada. Veriam a porta fechada do reservado em que eu estava. Certeza que o infeliz me esperaria sair SÓ PRA SABER quem estava ali, vulnerável, no escuro.

Minha saída foi o celular. Minha única companhia. Graças a Deus que sou apaixonado e sempre saio da sala com o aparelho para fazer uma ligação pro meu “mor”.

Apertei. Clareou. Mirei em tudo que precisava e saí. Agora é correr pra acender a luz antes que alguém me pegue parado, no meio do banheiro, no escuro. Eu pediria demissão. Pediria.

Acendi antes mesmo de lavar as mãos – claro! "Tchof, tchof" do sabão, torneira e as duas folhas de papel toalha.

Ao passar pela porta, deixei a luz acesa, pois, vai que...

5 comentários:

Rodrigo Ziviani disse...

Rsrsrsrsrs. Muito bom. O celular salvou sua vida, iluminou "tudo o que precisava". Morri de rir. Cagao!!

Matheus Farizatto disse...

Não sou cagão...

hehehe

PIMENTA E POESIA (Maria Tereza) disse...

Cagãozinho da mamys!! kkkkkkk
Delícia de texto, Fioti, sabe o que me lembrou? Das crõnicas do Fernando Sabino, que eu adoro. Vc já leu "A falta que ela me faz?". Se não, leia, é a sua cara.
Beijo e fica com Deus.E lava sempre as mãozinhas, heim, mininu linduuu!

Matheus Farizatto disse...

Hi, mom de BLOG! Hehehe

Vou ler esta do Sabino. Thanks pela dica.

E eu sempre lavo as mãos para finalizar o "sirviçu" hehe.

Um beijo.

Fanzine Episódio Cultural disse...

O PRIMEIRO CONTATO
Certa vez, na ânsia de concluir um trabalho escolar, cercado de publicações dos mais variados autores e temas, e sem saber por onde começar despertei-me com um clique da minha esferográfica.
Eis que, como um “Deja Vu”, deparei-me com um antigo livro de contos em péssimas condições. O papel amarelado pelo tempo, perfurado por traças, empoeirado e suas páginas mal cheirosas.

A tinta usada em sua impressão ainda mantinha um bom contraste, o que o tornava legível.

Então, no volver furtivo e detalhado de cada página, eu descobri algo novo: textos envolventes com assuntos, embora de séculos atrás, tão atuais e familiares que passavam não só a mim, mas a quem quer que os lesse (leiam) uma profunda intimidade com o autor.

Agora eu já podia empunhar aquela, cujo clique não mais soava irritante, mas frugal.

Tudo era simples, evidente e claro. Eu não precisava mais daquela pilha de publicações, pois tudo estava ali, em cada cor, som, ou lembrança. Daquela ponta esferográfica, as palavras fluíram com naturalidade e deitavam em cada pauta com a suavidade de uma pétala que pousava sobre a relva.

Eu compunha com mais idéias, indeterminado, mais livre. Não havia motivo para se preocupar com “Lapsus Linguae”... Sim era minha primeira crônica. Agora eu sabia que poderia escrever sobre qualquer coisa.

*Cassius Barra Mansa é cronista machadense

Lapus Linguae = erros de linguagem
ATRAÇÃO DOS MOLEKES

(pagode com malícia mineira)

Influenciados pelo, Exalta Samba, Revelação, o grupo se apresentou pela primeira vez em 2006 na Praça Antônio Carlos (Machado-MG), durante as comemorações do 7 de setembro.. No mesmo mês, eles abriram o show do Face Racial no salão da Dismabe, evento organizado pelo DJ Brown. O próximo passo será a gravação do primeiro CD com 12 músicas, entre elas (É hora de curti) Contatos: João ou Diogo (35) 3295-4031 (Machado-MG).

Blog: http://atracaodosmolekes.blogspot.com/