quinta-feira, 5 de maio de 2011

O peso da tradição

Cartório não é mais lugar obrigatório a qualquer casal. Com ou sem registro, igreja, vestido ou toneladas de bolo, pessoas se casam. Ao contrário do tempo da minha mãe, quando seu bolo ocupou duas mesas para encher com glacê as bocas de parentes, amigos, outros amigos que são só amigos dos pais, conhecidos e bicões.

Os casais têm a liberdade de se casar sem ser necessário, inclusive, alianças. Morar junto e dividir as contas de uma única casa também não são mais ditadura. Pessoas agora casam a seu modo. Fazem seus próprios votos. E até acredito que o “amar-te e respeitar-te” continue sendo unâmine em seus desejos.

Mas em meio a tanta liberdade e opções, por que as pessoas ainda se casam frente à igreja, com véu e grinalda e padrinhos usando trajes alugados? Será que isso – não garante, mas – ajuda no cumprimento do “unidos para a vida inteira”? Quando se trata de casamento, qual o peso da tradição?

Casados há 25 anos, meus pais trabalham a semana toda, saem para se divertir sempre às sextas ou sábados, discutem por algo bobo ao menos uma vez por semana, almoçam em família todo domingo e chegam a ficar, em média, duas semanas em crise a cada três meses. Comum? Sim.

A questão é que a cada crise ou discussão em que eles se estranham, eu sempre sei que logo vai passar e tudo ficará bem. Vejo isso desde criança. Por que sempre fica bem de novo? Não sei. Palpite? Casamento tradicional.

“Ah, Matheus, problema é dos seus pais e de quem vive assim. Não acredito em casamento desse jeito e ponto final!”. Tudo bem. Mas em um casamento à moda antiga, quantas vezes pensamos antes de jogar tudo pro alto por conta de um parente insuportável ou problema que parece insolucionável? Eu arrisco: pensamos várias vezes. O peso é colocado na balança e deixado descançando enquanto a poeira abaixa.

E se fosse outro tipo de casamento, como os citados no início deste texto? Sem alianças, casa juntos, entre outros vículos? Em um casamento sem o peso da tradição, quantas vezes pensamos antes de dizer “vamos terminar, cada um pro seu canto, para assim sermos felizes”? Eu afirmo: pensamos poucas vezes. Já não há muito compromisso mesmo, ou pelo menos sinais dele.

Concodo que algumas pessoas sentam, sim, nesse peso da tradição e levam vidas conformadas e acomodadas do tipo “ah, agora já foi, não posso fazer nada”. O que não é legal.
Do mesmo modo que outras ficam cada vez mais próximas por viverem “sem amarras” e se amando e respeitando.

Talvez o fundamental seja não se impor nada. Você e seu companheiro estarem abertos a arriscar e a fazer do modo que acharem melhor. Também pode ser mesmo importante ter um peso que segure o sobe e desce do casamento, mas o nome deste por ser definido por vocês. Uma sugestão: peso do amor.

6 comentários:

Lucimara disse...

O amor, claro, é mais importante que qualquer tradição... Aliás, tem que ser!
Se houver junto desse amor o respeito e a cumplicidade... Pronto! A união será perfeita, ainda que não seja sob os moldes tradicionais...
Mas a gente ainda vê muuuuito casamento por interesse. Casamento por conveniência... Amor que é bom mesmo... Nada! O negócio é estar bem pra sociedade.

Agora um segredo, Matheus:
rs, :$
Eu sonho em casar na Igreja e vou me casar. É um valor de que não abro mão. Pra mim, a bênção de Deus ali naquele momento é mais importante do que qualquer comemoração para encher barriga de parente, bicões etc.
Eu me casarei na Igreja, ainda que esteja só meu amor, eu e o Padre, como representante de Deus.
Tenho excelentes exemplos na família...
MAs... nada contra quem não se case na igreja.
O importante é ser feliz e respeitar o parceiro em qualquer ocasião.
Bjs...

Fernanda disse...

Meu casamento é assim, livre..
SEM PAPEL, SEM IGREJA, SEM ALIANÇA, e isso não nos faz falta alguma, pq temos de sobra amor, respeito, admiração, tesão. E quando o bicho pega o que nos segura tem um peso muito maior do que tudo isso A FAMILIA QUE CONSTRUÍMOS JUNTOS.

Bjos

Gi.Lene disse...

NOSSA!!! complexo isso não!?
Bom eu que vivo um casamento 'moderno', sinto os dois lados, o peso de estar junto na mesma casa, e a liberdade de virar as costas e ir embora a qualquer momento. Acho que qdo estamos juntos na mesma casa, a raiva de alguns momentos passa logo, vc reve rapidamente que aquilo não passou de uma briguinha, e toca em frente. então realmente passa.
Qto ao casamento tradicional na igreja e tudo mais, acho q muitos fazem pela convenção mesmo, mas ainda tem existem muitas pessoas q são religiosas, e como a Lucimara querem a benção de Deus (não q Deus não abençõe os q estão juntos)sem glamour nenhum.
No meu caso tento (e vc sabe disso) convencer meu companheiro a casar-se comigo de verdade, não por sonho, mas no meu caso pra dar uma satisfação mesmo, me incomoda muito não saber onde estou inserida na sociedade, não sei se sou namorada ou esposa....Infelizmente a gente ainda tem muito preconceito.

Bjus enorme adorei.

Matheus Farizatto disse...

Meninas, POR FAVOR, não abandonem o VJ! Estive fora por um tempo – nunca vi tanto boi junto na minha –, enfim trabalho!

Lu, com certeza tem mesmo muita gente usando da tradição sem mal saber o que está fazendo interesse e outros tipos de conveniências ligados em MODE ON com igreja e plateia. E você tem mais é que seguir seu coração mesmo e fazer a sua vontade. Seja tradicional! E só apóio por conta de sua intenção. Como você mesma disse, faz questão de seu amor e Deus abençoando isso.
Ainda acompanharei esse casório hehe. Bjos, Lu!

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Fernandinhaaaa! SEN-SA-CIO-NAL!
Admiro muito as meninas que não fazem questão do casamento conhecido e priorizam a cumplicidade e, PRINCIPALMENTE, a disposição de seus maridos e viver esse casamento por livre vontade, sem pressões de alianças e gravata pra pagar a lua de mel.

Gostei muito de saber disso sobre você, Fer!
Parabéns pela família que mantém sem precisar do “peso da tradição”.

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Gi! Você é a exceção a regra sempre rsrs. E saiba: namorada ou esposa, você é COMPANHEIRA e o Mateus é o mesmo pra você. Ponto final. É isso que pesa e que vale mais que qualquer “satisfação” pra quem quer que seja.
Mesmo o lance da compreensão nos desentendimentos já mostra o quanto vocês dois vivem esse companheirismo e consideração que MUITAS PESSOAS não conquistam nem com toda a TRADIÇÃO DO MUNDO. Bjos. Saudades dos nossos papos pessoalmente. Curto muito.

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Grace Kelly Cano disse...

aiii....como gosto desse blog!!!
E assuntinho complicado esse né??
Aliás quem complica somos nós!
O que vale, o que fica e o que mantém tudo forte é o amor!!!

Saudade de vc lindeza!

Matheus Farizatto disse...

Esse blog ADORO você, lindona! hehehe... SAU-DA-DE!

Beijos.