quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quebra de rotina

Há cinco anos trabalhando como assessor de imprensa sempre surge um novo assunto a cada empresa que atendo. No começo me sinto peixe fora d’água e acho que JAMAIS darei conta de acompanhar a nova atividade – descoberta e interação em tudo. Desta vez não foi diferente.

Com um mês na nova assessoria, fui cobrir e atender aos jornalistas que participavam de um evento de produção e reprodução de gado de leite. Imagina...

Pra mim, o palestrante falou em russo. O evento todo. No final, um sorteio aos participantes. O prêmio? Um DESCONGELADOR DE SÊMEM. Pronto. Novo mundo. Algo que eu SEQUER imaginei existir. E aqui vou eu. Quebra de rotina.

Entrou o fim de semana e eu estava sem internet. Além disso, sem jeito de conversar com meu “mor”, que passou por uma cirurgia na boca e o único diálogo entre nós acontecia em mesnagens no celular, porque não podia falar. Ok, novo pra nós dois. Mas sobrevivemos.

Saí para cortar o cabelo – o que não aconteceu porque estava LOTADO – e depois fui ao shopping dar uma volta sozinho. Ver livros, DVDs e revistas. Gosto muito!

Ao entrar no ambiente com ar-condicionado, o clima de Páscoa. Decoração com coelhos e ovos em cestas junto a cenouras? Não. Coelhos no tamanho de seres humanos e vestidos com trajes teatrais. De balé a cancan. I-NU-SI-TA-DO. Não me agradou, mas surpreendeu. Nova quebra de rotina.

Ao chegar à livraria do shopping, dei uma volta pela área de livros e revistas, depois subi ao andar de CDs e DVDs. Com a temporada de uma série que gosto muito em mãos, quis checar o preço. Só por curiosidade. O código de barras estava tampado por uma etiqueta colocada no estojo acrílico que protege o DVD.

Desci ao andar de livros e procurei um atendente. Ao ver a situação, o funcionário comentou: “nossa, quem será que foi o GÊNIO que colocou o DVD com o código virado para a etiqueta da caixa de proteção?!”.
Muito atencioso, o funcionário abriu a proteção, checou o preço e me devolveu o produto inconformado por eu – cliente – ter passado por isso. O atendente usava um aparelho para audição em uma das orelhas e notava-se claramente que tinha algum tipo de deficiência mental, como um atraso. E lembrando: ELE MESMO ficou inconformado com a situação – “quem será que foi o GÊNIO?!”.

Não teve jeito. Agradeci e ele disse “não seja por isso”. Gostei da atenção e da surpresa na situação, quebrou a rotina, levei o DVD.

No fim da tarde, tive o chá de bebê do filho do meu melhor amigo. Tem a minha idade, o conheci na faculdade, meu melhor amigo. Está casado e será pai. Quebra de rotina. Mas este assunto fica para o próximo texto.

Poucas coisas me incomodam tanto como o fato de todos os dias, acordar, comer, trabalhar, comer e dormir. E ficar nisso. Rotina. Isso me quebra. 


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* Atualização: o primeiro comentário deste texto sugere um final que também gostei muito. Por Will Lukazi: "Poucas coisas me incomodam tanto como o fato de todos os dias, acordar, comer, trabalhar, comer e dormir. E ficar nisso. Rotina?! Isso eu quebro!". E quebro mesmo (risos). Esse fim alternativo também é INÉDITO no VJ! Outra quebra de rotina. Obrigado, Will!

7 comentários:

Will Lukazi disse...

hsussashsh...tô vendo que seu dia foi uma espécie de quebra-nozes na rotina,Matheus...

Sem dúvida a rotina diária nos rouba a oportunidade do novo e de sensações inéditas. Vamos ficando com os sentidos entorpecidos e anestesiados até virarmos robôs metade máquina e a outra metade máquina também....

Por tudo que foi seu dia devia ter terminado assim:

''Rotina ?! Isso eu quebro !!

kkkkkkkkkkkkkkkkkk


grande abraço ...e parabéns pelo belo post..

Matheus Farizatto disse...

Óóótimo FINAL, WiLL!

Valeu até atualização no post.
I-NÉ-DI-TO no VJ! Hehe

Muuuito obrigado, Lukazi.
Um abraço enorme.

Daniel Candido disse...

Fala Matheus, lá vai o meu primeiro comentário!!! rs.
Bom, e o post não poderia ser o mais aconselhavel. Nada melhor que eu para falar sobre quebra de rotina rs.
Rotina pra mim é o seguinte: tem momentos que necessária, serve para colocar os pensamentos em ordem, o esquema, o biologico nos eixos. Mas tem vezes que não tem como suportar (ainda mais na nossa profissão).
O seu dia foi muito bom. Saudade de ir a uma livraria. Vivendo outra rotina agora rs.

Abraços meu querido.
Parabéns pelo blog! =)

Matheus Farizatto disse...

Dani! Que este seja o primeiro de muitos comentários.

Concordo que às vezes a rotina tem boa serventia. Nos mantém seguros de certa forma, quando não estamos muito dispostos a nos expor.

O gostoso é saber que podemos usar desta, da mesma forma que podemos driblá-la.

Vá a uma livraria, Dani! Hehe
Fiquei feliz com sua participação no VJ! Volte sempre, por favor.

Um abraçaum!

PIMENTA E POESIA disse...

Fiotiiiiiiii, que texto gostoso! Tão coeso, repleto de imagens mentais interessantes. Parabéns! Como sou louca varrida por livrarias, me senti dentro da cena. E como taurina, cê sabe, a gente necessita de uma rotina básica pela segurança que ela carrega. Mas olha, quebrar rotina é algo de que eu não abro mão (talvez esse seja um dos segredinhos de estar há 22 anos apaixonada pelo mesmo homem!). Saudade de vc, meu lindo. Ótimo feriadão, se joga. Te abraço forte. Melhoras pro seu amor.

Cris Paulino disse...

ótimo.. quebrar a rotina é sempre bom.. eu detesto pessoas e coisas previsíveis... eu mesma tento não ser a mesma.. hehehe

Matheus Farizatto disse...

É sem dúvida uma forma de viver em segurança, mamanhê rsrs. Gostei de saber um de seus segredinhos e concordo, afinal, o que é que sobrevive à mesmice? PARABÉNS pelo modo delevar a vida! Bjos.

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"Eu mesmo tento não ser eu mesma" É O MÁXIMO do escape à rotina hehe. Ótimo ter você aqui, Cris. BJjJooUU.