sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sobre a faculdade de Jornalismo


Jornalistas criticam
foco das universidades
na formação para o mercado

Izabela Vasconcelos, de São Paulo



Para jornalistas reunidos no II Congresso de Jornalismo Cultural, o foco das universidades nas técnicas para o mercado pode ser um erro. Os profissionais enfatizaram a importância da prática, mas defenderam que os cursos de Jornalismo devem ensinar mais a pensar do que a fazer.
“A formação para o mercado pode ser uma armadilha. Muitas vezes, ao se ensinar a técnica, não se ensina a pensar”, afirmou Carlos Costa, coordenador do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.



O coordenador de Jornalismo da PUC-SP, Urbano Nobre Nosoja, acha válido o investimento das empresas em treinamentos internos, mas diz que a universidade não precisa ter esse foco. “É importante as empresas se definirem, criarem cursos específicos, mas nós não podemos nos ater a isso, nos orientar por um veículo, porque nos formamos para trabalhar para a sociedade”, defendeu.
Para José Luiz Proença, coordenador de jornalismo da ECA-USP, os cursos das empresas jornalísticas não representam uma ameaça para as universidades. “Esses cursos acabaram sendo entendidos como uma grande interferência nas faculdades. E essa é uma visão completamente errada”.

De acordo com Ana Estela de Sousa Pinto, editora do programa de treinamento da Folha de S. Paulo, as faculdades pecam na formação cultural, e ainda não cumprem como deveriam o ensino de técnicas da área. “O principal problema dos cursos de Jornalismo é que são muito longos e não se definem, ocupam um tempo que poderia ser usado na formação cultural, e gastam pouco tempo mostrando como selecionar, apurar e transmitir conteúdo. É triste ver estudantes de jornalismo que não sabem escrever um texto sem erro gramatical”, pontuou.


O coordenador de jornalismo da Universidade Metodista, Rodolfo Carlos Martino, explicou que, para atender essa necessidade da profissão e o domínio de várias linguagens, a universidade passa por uma reformulação, com a integração dos laboratórios/Redações. “Estamos fazendo laboratórios multimídia, um mesmo espaço para o rádio, o estúdio de TV, a agência de notícias, o jornal, mas são mudanças que têm gerado grandes polêmicas”, contou.




DIPLOMA

Todos os jornalistas reunidos ressaltaram a validade da formação específica para a profissão, mas muitos deles não consideram obrigatório. Edward Pimenta, coordenador do Curso Abril de Jornalismo, vê o diploma como algo positivo, mas não aprova a exigência. “Com a queda da obrigatoriedade do diploma, nós fizemos uma alteração no ingresso do curso Abril. Agora qualquer estudante recém-formado pode se candidatar. Não somos contra o diploma, muito pelo contrário, mas somos contra a obrigatoriedade do dele. 90% dos estudantes que chegam ao curso Abril são das grandes faculdades”.
O coordenador de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero enxerga a formação como uma vantagem. “A formação específica é uma vantagem para ser jornalista. E eu não tenho dúvida que a regulamentação da profissão voltará”. Carlos Costa também completou que o momento é “ótimo para repensar” o que os jornalistas vieram “fazer no mundo”.

Fonte: http://www.comunique-se.com.br


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3 comentários:

brunosiffoni disse...

Concordo em partes em ambos os lados. Nem somente necessitamos de mais aprendizado em tecnicas e praticas na faculdade como nao so precisamos de maior nivel cultural.
Ao meu ver a questao cultural, interesses sociais, etc, é algo que ja deveria ter sido trabalhado, ao meu ver isso é funçao das escolas. O universitario tem que chegar com sua opiniao formada a faculdade e nela quando cursa Jornalismo tem que aprender a como se abster da informaçao que ele passara, independente da sua opiniao pessoal. Nao precisamos fazer jornalistas pensarem, precisamos fazer jornalistas mostrarem ao publico que eles devem se questionar a respeito do que esta sendo mostrado. A questao sobre erros ortograficos, falta de sincronismo em redaçoes muito se deve por culpa dos proprios veiculos que preferem um mau profissional que tenha um "rostinho" mais bonito para aparecer na tv, do que um mais capacitado, sem falar no nepotismo e na politicagem que torna 99% dos veiculos midiaticos obscuros.
A principal funçao que deve ser discutida sobre jornalistas é como ele passara a informaçao a sociedade, que é o que deve ser focado e com isso a pratica e a tecnica entram em primeiro lugar e ao meuv er sendo ainda mais importantes do que "fazer pensar". O jornalismo é formador de opiniao e nao ter opiniao formada.

Chicão disse...

Penso que o diploma nada mais é do que um pedaço de papel que muitos se orgulham por colocá-lo em algum lugar, no qual todos podem ver. A faculdade é um instrumento importante e que todos os interessados em exercer a profissão devem passar, mas a vontade do aluno em aprender é mais importante. Durante os quatros anos em que cursei a faculdade de Jornalismo, grande parte dos alunos nunca se interessaram em aperfeiçoar-se, buscando algum trabalho ou estágio na área. Destes, muitos não chegaram a exercer a profissão e hoje já estão praticamente fora do mercado. Por isso reafirmo, o diploma nada mais é que um pedaço de papel e para honrá-lo, é preciso muito mais do que cursar uma faculdade.

Rafael Martinez disse...

A faculdade é bem vinda sim, mas a competência futura depende mais do esforço do aluno. O que vale, realmente, é a prática e os erros do cotidiano para que se aprenda quando formado.

Rafael Martinez