quarta-feira, 18 de março de 2009

Aqui

O tempo aqui não é o mesmo do de lá de fora. A manhã daqui ainda é escura. Próximo de o sol estar no centro do cinza, ainda há neblina. A chuva não muda a paisagem. Aqui, ela muda uma vez ao ano. Que horas são? O tempo aqui não é o mesmo do de lá de fora.
O que se move é um déjà vu. Aquilo que anda, andou ontem da mesma forma. O trilho que segue, leva ao destino sem novidades. Uma rotatória. O que chega ao céu continua chegando não importa se marinho ou bebê. E quando deixa de chegar, nós já vimos como é, e sabemos quanto tempo vai durar.
As pessoas mudam. Poucas. Trocas são esquecidas como se nunca tivessem acontecido e todos continuam.
Aqui, quem fica tem o papel de mostrar que é possível ficar e como deve ser para conseguir. Não se consegue esconder que mudaram. Adaptaram-se. Por isso, três décadas.
Saímos e voltamos. No corredor, procuramos um canto. Eu passo por eles. Eles passam por mim. Para que ver alguém? Queremos o sono.
De novo. A mesma paisagem do mesmo mês de um ano atrás. É noite. É dia. É noite. Todos vêm e voltam. Ninguém sai. Será que eu saio? Vou ficar. Minha cabeça muda. Eu vejo lá fora. Estou aqui de volta. Já ouvi esse som ontem. Não quero voltar. Estou aqui mais uma vez. Cochilo aqui.

2 comentários:

Ariadne Souza disse...

Amei seus textos...

Narlla Sales disse...

Gostei daqui, moço...
:-)