quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Rafinha Bastos em RP


No último domingo, 17, o Theatro Pedro II recebeu em Ribeirão Preto o ator, comediante, jornalista, ex-jogador profissional de basquete, gaúcho, judeu, com quase dois metros de altura, e hoje apresentador do Custe o Que Custar – que quem não conhece assim, ao menos já ouviu falar do CQC -, Rafinha Bastos, 32 anos.

Vendo o palco um tanto de lado, no assento D-5 Frisa do Theatro de teto distrativo, lá estava eu, e, ao meu lado, duas meninas prestes a tirar a carteira de motorista e a morrerem de rir mesmo que Rafinha Bastos estivesse sem voz naquela noite.
Marcada às 19h, a apresentação começou logo. Esta, antecedia um bis que tiraria jovens da cidade dos barzinhos e alguns pares de ouvidos mais gastos, das vozes de Zeca Camargo e Patrícia Poeta.

Um banco, um microfone, palco iluminado, um hit jovem começa para puxar as palmas e Rafinha Bastos, desta vez, não estava de terno e gravata atrás da bancada da atração semanal da Band.
Suas primeiras palavras sugeriram uma apresentação pessoal, mas que, claro, já faziam parte do começo de uma hora e dez minutos de piadas que estavam por vir. “A Arte do Insulto” satirizou religião, sexo e situações do cotidiano sem exigir muito esforço da platéia. O repertório foi criado para esta platéia. Simples, mastigado, para que os jovens que queriam ver como o cara do CQC era ao vivo entendessem.
Uma dose de sarcasmo sobre temas relevantes e atuais para um bom Stand up Comedy? Stand up Comedy? Para eles, parece ser o nome de um novo seriado da TV a cabo prestes a ganhar uma comunidade no orkut.
A piada mal terminava e os comentários eram “nossa, ele é demais”, “o melhor”, “ótimo” etc. A ótima interpretação de caras e bocas, vozes hilárias e próprias para cada momento que usadas, poderiam ter sido melhor aproveitadas por Rafinha.

As piadas giravam ao seu redor; ele era o personagem principal, aquele que insultava de forma cômica. Bom.
Ao mesmo tempo, sem rodeios, ditava para a platéia teen o que é cool. Ruim.
Sem citar o programa de jornalismo cômico, Rafinha lançou cutucadas para a Globo e a Rede Família. Discovery Channel, para ele, é programa assistido por chatos. E assim, Bastos disse sem dizer: “Não assistam a Globo (oba! Menos gente na maior audiência, é a nossa chance!). Assistam à Rede Família para verem o quanto é tosco (e assim eles vão parar no CQC, afinal, a própria emissora admite suas tosqueras e reconhecem no ar que vão parar no Top Five do programa). E, jornalismo legal não fica mostrando animais. ‘Pra quê?’ – como ele mesmo disse. Então, nas entrelinhas: ‘bom sou eu na bancada às segundas-feiras”.

O muito simpático Rafinha Bastos que brincou de forma sadia sobre a Ribeirão Preto, pelo seu currículo, é capaz de muito mais. Mas, talvez, se assim fizer, mostrar todo o seu potencial, pode não atender a expectativa criada sobre a imagem que os óculos escuros lhe deram no CQC.
Entre o atual Stand up Comedy de Rafinha Bastos, no Pedro II, e o de Fernando Caruso, no Sesc, no início deste ano, eu fico com o que o ingresso me custou R$ 3.

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