terça-feira, 16 de maio de 2017

O livro "Matéria Escura" é sensacional




Eu e o livro que combina
com a minha camiseta
Melhor que terminar um livro ótimo é descobri-lo por acaso. De tanta bobagem no Instagram, "Matéria Escura" me chamou atenção pela capa. Essa cor e o lance das camadas no título... Alguém postou o lançamento – não lembro quem porque não guardo esses perfis de postagens padronizadas –, anotei, procurei e comprei.

Na livraria, me ganhou mais ainda. É capa dura, com contracapas em uma arte escura com um feixe de luz vermelho... Piração! Levei. Comecei. Não parei.

Sabe livro que a gente tem medo de acabar rápido demais? – se sabe é porque tem muita sorte pois está complicado achar algo a que valha a pena se dedicar ultimamente – Trata-se de um suspense que te envolve muito. Capítulo depois de capítulo, a história, o personagem principal – a trama é narrada em primeira pessoa (exceção de algumas partes e o motivo disso é ótimo!) – tudo te oferece uma leitura deliciosa. E o assunto? Realidades paralelas!

Parênteses (ou tracinho como gosto de escrever para parênteses) – ultimamente suicídio e universos paralelos estão meio em alta nas leituras e séries, né? Vale dar uma olhada na produção OA, no Netflix.

O livro é curto, pouco mais de 340 páginas. Texto leve e esse é o primeiro romance – romance de estilo de publicação, não de romantismo, ok? – do tal autor chamado Blake Crouch.

Só para saber: em uma noite comum de jantar com sua esposa e filho, Jason sai para cumprimentar um amigo em um bar, comprar sorvete para a sobremesa da família e é sequestrado por um cara que usa uma máscara de gueixa. O estranho armado faz Jason dirigir até um ponto da cidade e o injeta algo que o faz acordar em um laboratório cercado de gente que o conhece, mas que ele nunca viu a cara desse povo. A partir daí começa a piração de quem é Jason Dessen e quem a gente se torna de acordo com cada escolha que fazemos. Para ler e guardar! Ou compartilhar.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

A menininha vai para a Disney





Sonha há tempos. Planeja há pouco mais de um ano. O sonho se tornou realidade: a menininha vai para a Disney.

De um ano atrás, quando comentou pela primeira vez sobre a viagem à ansiedade das semanas de véspera do grande momento. Passou rápido porque ela se distraiu com tudo. Da decisão de ir ao dinheirinho juntado mês a mês para render por alguns dias quando transformado em dólares.

A menininha vai para a Disney. Muitos já foram. Ela vai aos 30. Agora é a vez dela! Ela que é fanática por cinema, louca para conhecer os estúdios da Universal e o Hollywood. Mas disseram que ela deveria conhecer o Animal Kingdom, afinal, ela já estará na Disney. Ela diz que não curte muito ficar vendo animais em parque, quer dedicar mais tempo ao que ela gosta. Mas ela tem que ver o Animal Kingdom.

Tem que isso, tem que aquilo... Parece que não conhecem a menininha.

Ela finalmente vai para a Disney! Mas o que é a Disney sem as compras e as caminhadas por shoppings que reúnem milhares de lojas em Orlando. Ela só quer ir para a Disney.

Deve ter tentado dizer isso enquanto a amiga espremia creme em suas mãos que nem esmalte usam por tamanha alma simples, mas o perfume Vanilla/Baunilha desviou a atenção do assunto da menininha.

A menininha vai para a Disney! Às vésperas da viagem, vai comprar um shorts para ficar mais confortável enquanto passeia pelos parques e quem sabe uma camiseta do Mickey só para chegar a caráter.

Deve ter tentado explicar o tipo shorts que queria e a camiseta que pensou para a viagem, enquanto outra amiga comentava sobre os vários tablets, projetores e churrasqueira que ela comprou em sua última, das sete viagens feitas para a Disney. Passeio em que ela ainda ensina o lance de ir com poucas malas e voltar com várias compradas por lá para guardar os produtos que serão usados aqui.

Como será que a é a Disney? Detalhes não faltam. Quem foi se anima e fala, fala, fala.

Mas qual será o brinquedo que a menininha está mais ansiosa para conhecer? Ninguém perguntou. Porém todos dão palpites em cima de palpites sobre quais são os seus favoritos. Na conversa entre quem já foi para a Disney, se atropelam e mal ouvem as tais dicas umas das outras. A menininha só observa. E enquanto observa, tem que anotar.

É pedido de compra em cima de pedido de compra das amigas que compram e compram quando vão para a Disney. Encomendas de cosméticos feitas para a menininha de rosto que nem batom usa.

Mentalmente, as amigas repassam seus estoques de maquiagem, cremes e esmaltes para verem até quando duram os estoques e não correrem o risco de ficaram sem aqui enquanto a menininha vai conhecer de lá.

Qual será o filme clássico da Disney que a menininha mais gosta? Ninguém sabe. E ela está prestes a finalmente ir para a Disney. Em uma brechinha no meio da barulheira toda de experiências na Disney e nos Estados Unidos, a menininha comentou que tem medo de montanha-russa, que nunca foi. Ninguém perguntou o motivo, porém disseram quais montanhas-russas a menininha tem que experimentar na Disney.


A Disney era a viagem da menininha. Esse era o combinado. Combinado que pode ser que combinem um bar com a menininha em uma data em que a própria menininha estará finalmente na Disney. Mas que ninguém se lembrou disso.


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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O charme do curta "Alike"

Em tempos quando a gente mais possui opções para escolher como viver, as pessoas mais projetam em si – e nos outros – padrões e necessidades que não fazem sentido algum.

A deliciosa animação espanhola “Alike” mostra como a rotina e as imposições criadas por nós mesmos podem tirar a nossa cor.




terça-feira, 4 de abril de 2017

A gente acaba com a gente



A gente esquece de agradecer. Pede, pede, pede e nada de dizer algo de volta. A gente pede quando está mal e esquece quando está bem.

Quando a gente agradece é automático. Se deita na cama e agradece pela saúde, pelo amor, pela paz, pelo alimento, pelo lar, pela família e pelos amigos. Vira roteiro. Ninguém agradece pelo cara que buzinou alto no trânsito enquanto a gente invadia a outra faixa por dar aquela olhadinha nas mensagens no celular. Ele, que pode ter salvado a vida da gente, passa a ser o chato mal-humorado que estragou o nosso dia antes mesmo de a gente chegar ao trabalho.

A gente esquece de ouvir. Basta alguém comentar algo sobre o seu dia que, assim que o outro parar para tomar um fôlego, a gente desembesta a falar do nosso. A gente pergunta do outro para falar o que queremos. Comece a prestar atenção. É sempre a gente, a gente, a gente. Peça a opinião de alguém sobre algo que diz respeito a você e tão logo você ouvirá todas as histórias de vida do outro sobre as coisas dele mesmo.  A gente fala o que quer e não ouve o que não quer. Acaba com uma amizade por pura vaidade.

A gente esquece de entender. Busca, busca e não se sabe o quê. O desejo do outro passa a ser a nossa meta. A viagem, a roupa, o cargo, a série de TV, o relacionamento, filhos ou não. E nessa de um se espelhar naquele ao lado e então o outro no outro, a vida se tonar um enorme ciclo de personalidades padrão desfiladas em uma esteira da qual ninguém ousa pular fora. A gente faz sem saber para quê. Acorda sem ter um porquê.

Em tempos em que todos podem ser algo diferente dos demais, afinal, nunca antes houve tanta liberdade e opções, a gente vive de postar.

Posta, posta, posta. Você viu? Eu também. Comprou? Eu também. Se você for, eu também vou. A gente definitivamente não sabe lidar com escolhas. E nunca antes houve tantas delas a serem encaradas.

A gente gosta sem saber de quê. Gasta sem sentir o porquê. Beija sem conhecer aquele “que”.

A gente desaprende a sonhar. Afinal, não se sonha o sonho do outro. Não há nada mais pessoal que os nossos próprios desejos. Não há nada mais autêntico que negar um convite que não é do seu agrado.

A gente acaba com a gente sem saber que quando morrermos algumas pessoas vão se importar, mas que em pouco tempo isso também vai passar.



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quinta-feira, 16 de março de 2017

Eu vivi pra ver a adaptação de A Bela e a Fera



Quando criança eu rezava ajoelhado ao lado da cama antes de dormir agradecendo pelas saúde e família, e pedindo para ter um jeito de ir para a Disney sem precisar ser de avião – morria de medo. Agora o meu medo são as contas de casa e eu rezo para sair do cheque especial no banco.

Fã dos clássicos lançados pelas empresas do papai do Mickey, assisti A Bela e a Fera em 1992, no cinema, aos meus cinco anos. De lá para cá, essa é a animação que mais vi e revi. Em 2012, a Disney relançou o filme na versão 3D nos cinemas e lá fui eu encher os olhos com o primeiro desenho que concorreu à categoria de Melhor Filme no Oscar – ganhou por Melhor Trilha Original e Melhor Canção.

Ao completar meus 30 anos, ganhei de presente a versão live-action, com atores em cena, de A Bela e a Fera, pela Disney – afinal houve dezenas de outros filmes lançados que não a versão do sogro da Minnie. Me recusei. E o filme não poderia ser mais perfeito para o coração crítico do fã que escreve para este blog.

Em 2017, A Bela e Fera se mantém muito atual. Não aos spoilers e sim aos comentários que vão te fazer querer assistir à nova versão, o filme com Emma Watson como Bela tem diálogos exatamente iguais à animação dos anos 90, os números musicais elaborados com perfeição e adaptações que só tornam o filme ainda mais sensacional.

Depois de Malévola (2014, com Angelina Jolie) – personagem da qual sou muito fã pelo clássico Disney, A Bela Adormecida – eu me borro de medo de uma adaptação para live-action dar merda. A maioria adora o novo filme, mas para mim, começa muito bem e desanda, afinal, a bruxa conhecida por seus longos chifres não se chama Benévola. 

Então veio Cinderela (2015) e meu coração voltou a bater tranquilo – e ansioso – pelas novas adaptações Disney. O clássico na versão com atores em pessoa é delicioso. Ganhamos o melhor da história original com adaptações que presenteiam os fãs com pontos que não tinham sido mostrados antes, como a relação da gata borralheira com a mãe, a chegada da madrasta (Cate Blanchett, fabulosa) ao casarão e a morte de seu pai. Até a origem do nome da loira é mostrada na nova versão. Lindo demais.

Com A Bela e a Fera – graças a Deus – não foi diferente. E o desafio foi ainda maior. Primeiro: os números musicais, isso, se não for muito bem pensado visualmente, destrói o filme. Segundo: metade de seus personagens são objetos enfeitiçados que falam e pulam e dançam – o que é um banquete para animações, mas uma armadilha para computação gráfica colocada em cena junto à elementos reais. E por último, para descabelar seus produtores: a Fera. Como criar aquele bichão que jamais poderia ser igual ao desenho original porque ficaria caricato demais e ainda deve ser assustador do mesmo jeito que passará a causar simpatia na plateia? E mais: ele vai conversar, usar roupas, objetos, dançar e se apaixonar por uma atriz real. Tudo é colocado em cena com perfeição.


Chega? Mais duas coisinhas. Se você leu até aqui é porque curte os filmes Disney então, presentes: o novo longo tem duas músicas criadas para esta versão, cantadas em cenas, e a trilha sonora ganhou outra música original, cantada por Celine Dion (que cantou o tema ganhador do Oscar nos anos 90), chamada “How does a moment last forever” mostrada durante a apresentação dos atores e seus personagens no início dos créditos do filme. Parei. Amei. Muito. Mesmo.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A morte da sobrancelha



Depois da moda dos livros de colorir, é a vez de pintar a cara. Uma parte dela, na verdade. E sem muitas opções de cores. De preferência somente tons escuros: preto, grafite, cinza, chumbo, carbono. Pode ser que um desses chegue a um tom meio azulado com o passar do tempo, normal. Depende da pele e de quem pinta. Ah, na verdade, soube que depende da qualidade da tinta. Estou falando de pintura nas sobrancelhas. Fixa. Estilo tatuagem. Está “super em alta”. Tendência da mulher moderna.

Quando falei de fazer a minha única tattoo, o primeiro comentário de quem não era lá a favor foi “E quando você ficar velho?”. Quando eu ficar velho a minha pele vai enrugar, ficar mais fina e minha tatuagem no pulso provavelmente vai entrar para o tom cinza-sumindo, azul-esverdeado, como a mancha de uma pancada na perna. Então colocarei um relógio, uma pulseira bem no estilo senhor de 60, e tudo certo. Mas na cara, logo em cima dos olhos, você bota o que para tampar? Vai viver com enormes óculos escuros? Ou prefere o boné com a aba bem baixa tal qual uma celebridade que se esconde dos paparazzi.

E mais: a mulherada que entrou na onda de tatuar a sobrancelha, ou melhor “fazer definitiva”, ainda não tem a referência de quem fez aos 30, 40 anos e hoje estaria com 70, 80, com aquilo no começo da testa para saber como isso vai “evoluir” – tenho a impressão que algumas devem ganhar até pernas com o passar dos anos – para saber no que vai dar.

Há idosas que, na vibe roqueira-motoqueira-metaleira, se meteram a encarar a agulha e fazerem a sua primeira tattoo. As primeiras duas, na verdade. Porque ninguém vive de uma sobrancelha só. O resultado: nasce uma sósia do Palhaço Carequinha.

Mas o par de fitas isolantes sobre os olhos não são acessórios somente das mulheres de mais idade. Em uma ida ao supermercado, shopping, praça ou caminhada pela empresa encontramos novinhas com a testa carregada de tinta. Soube que algumas, que não encararam a definitiva, desenham e preenchem a lápis suas gêmeas (que nunca ficam idênticas) dia após dia antes de saírem de casa – e eu com preguiça de passar a minha camisa antes de ir trabalhar porque tenho que acordar um pouco mais cedo. Bobagem. Será que elas têm um molde que só seguram na altura da testa e metem o rolo de tinta preta ali? E voilà! Saindo um par de sobrancelhas fresquinhas. Ainda bem que não dá para pisar nelas, para não manchar. Ou até dá, dependendo do desentendimento com a tal pintora.

O assunto me intriga tanto que uma amiga me marcou em um meme que dizia: “Fui limpar o suor na testa da menina, sem querer apaguei a sobrancelha dela”. Rá! Morri.

Mulheres bonitas, estilosas, com boa autoestima (aparentemente, claro) se entregando às tatuagens testeiras. Pra quê? Penso.

Foi-se a época em que nariz grande era sinal de infelicidade com o seu rosto. Peitos muito pequenos? A tattoo de sobrancelha hoje viria antes do par silicone. Mais barato. Mais na moda. Mais urgente!

Há, sim, mulheres que acertam na “arte”. Conheço duas. E uma única esteticista que mandou bem. Ficaram boas. As quatro sobrancelhas! Cada duas de acordo com o tom de pele e o rosto de suas donas. Ambas definiram seus pares de traços de expressão para todo o sempre com essa mesma profissional. Louvada seja a tal.


Pode ser que haja mais que ficaram “naturalmente” boas. Afinal, quem notaria a mudança se feita com perfeição? Enquanto isso, impossível disfarçar aquelas sobrancelhas que se tornaram dois boomerangs pretos. Impossível se desfazer deles. O jeito é esperar para ver como elas, sobrancelhas e sua casa chamada rosto, vão ficar quando envelhecerem.


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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Quem precisa de um homem que dance




Acho que homem que sabe dançar nunca é o marido da mulher que gosta de arrastar seu salto alto pelo salão. Toda esposa, noiva, namorada reclama que seu parceiro não dança. Até aquela casada com um pé de valsa é capaz de soltar um “Ele dança, mas logo cansa”. Pior: há quem perca as estribeiras pelo cara só dançar com “as outras”.

Uma amiga passou uns dias no Rio de Janeiro e tocou se meter no ensaio de uma escola de samba. E dá-lhe samba! Ritmo que também se dança a dois. Mas que homem acompanha isso? Ela encontrou um. Que sorte! Rodopiou a noite toda. Só estranhou uma coisa: o rumo para onde o seu sambista olhava na quadra.

Enquanto a Cinderela teve até a meia-noite para aproveitar o baile com o príncipe, minha amiga teve até a vontade do namorado de seu parceiro de dança em querer voltar para casa. Homem, dançando bem... Gay. Não que seja bem gay. Mas gay.

Sem preconceito! Mas via de regra é o que vemos e ouvimos. Uma maioria. Aquele cara hétero sabe dançar? Claro que sim. Aquele da minoria. Uma amostra da sociedade bastante disputada. A tapas e puxões de cabelo. Filas e filas de mulheres que esperam ser chamadas para a próxima música.

O clichê “Não se pode ter tudo” nunca esteve mais em alta. E se mulher conhecer como é o companheirismo de estar com outra mulher, pode ser o fim dos relacionamentos héteros. A mulher que prioriza carinho, surpresas, um bom papo, ele ser engraçado, antenado, que conheça seus gostos para um belo presente, estiloso, que não dispense um bom perfume, que não peide nem arrote na sua frente, que ofereça sexo com massagem, massagem com sexo – tem que ter a massagem! – e a parceira sempre em primeiro lugar, tudo em uma só pessoa, deve, definitivamente, imediatamente – largue este texto e corre – considerar um relacionamento com outra mulher. Ou com um homem, sim. Um homem gay.

Quem precisa de sexo? (Eu!). Muitas mulheres não. Engravida-se de milhões de formas. Deve ter até acupuntura capaz de prover um bebê hoje em dia. E o prazer manual também pode ser suficientemente legal.

Outra amiga confessou: “O que acontece é que dificilmente homem é legal. Homem hétero. Eu raramente passo do terceiro encontro”. Não a culpo. O papo é foda. Muitas vezes o hálito também. Mal conseguem falar sobre um bom filme ou atores que surpreendem. Só conhecem o Vin Diesel. Na balada chegam passando a mão no cabelo da mulherada. Eu já vi um cara se aproximando da menina e – pasmem – cheirando suas mechas até que ela percebesse. É para morrer solteira mesmo.

Não tenho dúvida de que a pior encarnação é nascer mulher. Mulher hétero. Que (falta de) sorte. Lá em casa quando reúnem meu pai, meu tio, meu cunhado e os namorados das minhas primas parecem sósias produzidos em série com opções de penteados e alturas diferentes. Só. Ah! Os nomes também mudam. Só. De resto, parecem hologramas de um mesmo ser.

As piadas, os filmes que acham engraçado, os gostos musicais, o mau gosto para se vestirem. Tudo igual.


Tudo mesmo: homem hétero é capaz de uma leveza que a mulherada dificilmente vai ter. Cuca fresca, chinelo no bar, cerveja em vez de terapia. Troca balada pelo sofá e sofá pela balada sem precisar planejar uma semana antes. Se esqueceu algo, tudo bem. Isso não quer dizer que não dá mais para irem ao tal restaurante. E quando estão loucos de vontade de suas parceiras, transam (dia sim, outro também) como se nunca tivessem visto uma mulher sem calcinha antes. 

São altos e baixos dos homens, namorados, noivos, maridos. Gays e héteros. Créditos e débitos. E cada mulher sabe o seu limite bancário para escolher como lhe convém pagar a sua própria compra.


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Quando os atores salvam o filme










Talissa Berchieri
Jornalista






Vários recados de amigos diziam: "Você vai amar La La Land, precisa ir ver logo!". Os artistas que sigo nas redes sociais também atiçavam minha ida ao cinema. Bom, como ir conferir um filme na telona nunca precisa de muito pra mim, acelerei o dia pra não ficar de fora da "onda".

Longe de ir contra os amigos e artistas, adoro ouvir e ler as opiniões, mas nunca agradeci tanto a existência de Ryan Gosling e Emma Stone, eles me salvaram de duas horas entediantes! 

Já deu pra perceber minha opinião, né? É isso aí, não me odeie, mas o que vale a pena nesse superestimado musical são apenas os protagonistas. 

Uma vez Julia Roberts disse: "Não sou bonita como vocês acham, o que acontece é que todos foram programados pra me achar bonita porque fiz um filme que chama ‘Uma Linda Mulher". Sábia, Julia! Não concordo que ela não seja bonita, pra mim ela é fabulosa, mas o raciocínio se aplica no caso de “La La Land - Cantando Estações”. O marketing do filme foi tão competente que programou o mundo pra achar essa obra fraca o longa do ano.  

Ao chegar a Los Angeles, o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a aspirante a atriz Mia (Emma Stone) e os dois se apaixonam. Em busca de oportunidades para suas carreiras na cidade, os jovens tentam fazer o relacionamento e as carreiras darem certo.

O diretor Damien Chazelle tentou colocar “La La Land” em prática em 2010, mas não achou um estúdio sequer pra produzi-lo. Em 2014, o diretor e roteirista ficou conhecido por “Whiplash – Em busca da perfeição”, um longa superior e de bom gosto que conquistou espaço nas premiações. Depois de um sucesso no currículo, ficou mais fácil conseguir produzir e emplacar “La La Land”. 

O musical tem a pretensão de ser uma homenagem aos grandes filmes do passado e não inova. O tema é batido, muitos já colocaram a dificuldade que é fazer carreira na disputada Los Angeles de um jeito bem mais original (o recente “Café Society” de Woody Allen, por exemplo). Pra voltar a esse assunto como centro é preciso no mínimo mais do que dois atores graciosos. 

Adoro musicais, quando são bons já baixo o álbum no meu Spotify. Nesse caso, nem a trilha de “La La Land” salva por completo, as duas primeiras sequências musicais são constrangedoras. A primeira é a cantoria no trânsito parado, uma referência ao lado caótico da cidade dos sonhos. Já o segundo musical é a festa em que Mia vai com as amigas. Podíamos ter passado sem as coadjuvantes sem graças, direção de cena ruim e música fraca. 

Para evitar que a minha orelha queime de tanto me praguejarem, vou fechar os pontos negativos do filme com apenas mais uma observação: como um ator como J. K. Simmons foi escalado pra praticamente uma figuração? 

Continuando... E tentando amenizar. Como disse lá no início, o filme tem dois salvadores. Achei “La La Land” insuportável? Não, porque me distraí com a graciosidade de Stone e Gosling. Dois talentos incríveis que tiveram química apesar do roteiro raso. Duas músicas também salvam em toda a trilha do filme, são elas a "City of Star" e "Mia and Sebastian's Theme".  Claro que não vão se tornar clássicos daqui a alguns anos, mas enfeitam algumas cenas.  

Uma última coisa, alguém sabe me explicar por que a divisão do filme em estações? Ok, parei! 


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*** Talissa é fofura do começo ao fim. No jeito, não no corpo, ok? Ela se cuida bastante. Só relaxa no fim de semana. Mas só um pouco. Toda dedicada em tudo o que faz. Delicada também. Mesmo quando crítica. Menos quando ri. Sua risada é gargalhada. Quase gritada. Uma delícia. Mais delícia que isso, só quando entra num bom conselho de amiga, numa boa conversa filosófica e técnica sobre filmes e seriados, os bons e os bobos.


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Quem não termina, não recomeça





Uma amiga ficou desnorteada a procura do seu elástico de prender o cabelo. Jogou as madeixas para o topo da cabeça, segurou com uma das mãos e rodopiava com os olhos vidrados no chão, desesperada, feito quem acabou de perder uma nota de cem.

Foi quando, já desistindo, soltou que tem um pacote das tais maria-chiquinhas favoritas em casa porque morre de medo de ficar sem, de um dia elas acabarem.

Ela tem dificuldade para jogar uma garrafa de água fora. E estou falando da garrafa vazia, ok?

Pede ajuda em casa para acabar com os seus shampoos. Acumuladora? Não. Só fica com dó de que as coisas terminem. Diz que tem maquiagem que guarda desde os seus 15 anos. “Eu não consigo acabar com nada”.

Das gavetas e prateleiras da minha amiga para os sentimentos e pensamentos de todos nós, há quem termine situações com a mesma facilidade que borrifa a última gota de um perfume importado. Ou até mais indiferente.

Há quem desfaça um relacionamento de anos sem ao menos olhar para a pessoa. Em um telefone. “Alô, oi, estou ligando para terminar com você”. – “Como assim?”. – “É só isso que tenho para falar. Tchau”. E nunca mais atende as ligações do outro.

Em tempos de smartphones, quem precisa de um telefonema? Termina por mensagem mesmo. Nem precisa ser de áudio. Sete toques na tela: A-c-a-b-o-u-Enviar. Fizesse pelo menos uma chamada de vídeo, né? Pelo wifi a qualidade é boa e não gasta seu pacote de dados.

Pior que a dificuldade para terminar é a facilidade de evitar algo. É inacreditável o desconforto das pessoas para certas conversas pessoalmente.

Pede-se o presente de aniversário e não se pede desculpa. Comemora-se o aumento de salário mas não o novo dia que começa ao lado de quem se ama, afinal, qual seria a ocasião?

Termina-se a história de tempos em um emprego só porque ali havia gente difícil. Não se começa uma nova oportunidade que pode oferecer mil outros benefícios de trabalho ao longo do tempo, afinal, estamos estabilizados onde estamos.

Talvez seja mais fácil pedir para que alguém passe a última pontinha de batom pela gente, beba o gole no fundo da taça, use pela última vez a jaqueta, diga adeus para quem não vai voltar.

Pode ser melhor que terminem pela gente, mas então nunca saberíamos em que é preciso nos adaptar quando jogarmos o frasco do shampoo fora e descobrir que temos que passar a contar com um produto diferente do de costume porque não se encontra mais aquela marca no mercado.



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