quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Melhor estarmos despreparados





























Lá se foi mais um. Dessa vez, a cantora Bibi Ferreira. Antes dela, uma das integrantes do grupo Fat Family. Antes desa, o jornalista Ricardo Boechat. A cada F5 na tela, uma morte, um tipo de dor. Quantos foram em Brumadinho? 

No WhatsApp, tudo chega, você estando pronto ou não. No grupo da família, uma prima mandou a notícia da morte da Bibi e minha mãe comentou "Eu vi, mas não coloquei porque esse grupo está parecendo aviso de falecimento". Dei risada, mas está esquisito, está tenso, estou meio para baixo.

Neste mesmo dia da morte da cantora, mais cedo, minha amiga comentou em poucas palavras o resultado de um exame e que a notícia não é boa sobre o seu pai. Enquanto isso, um amigo cancelava o jantar combinado para a semana porque passaria a noite organizando as coisas para os exames que sua mãe faria na manhã seguinte em preparação à cirurgia que está por vir.

Na vibe "Eita atrás de Eita", cheguei em casa e um pensamento muito forte socou a minha fuça: o que é que eu estou fazendo aqui?

Não precisou da meia idade para bater a crise. Enquanto o vilão do filme "Os Vingadores: Guerra Infinita" estala os dedos e os super-heróis viram farelo em poucos segundos, neste curta metragem da nossa vida, o sofrimento se arrasta por muito mais que algumas cenas.

Fechei meus olhos. Perguntei de novo para mim mesmo: o que é que estou fazendo aqui?

Na hora me ocorreu como resposta o sentimento de doação. De me doar. E uma onda louca que traziam pensamentos sobre nos abrirmos, servirmos, nos entregarmos e, assim, amarmos. Definitivamente, aprendermos.

Mas como, gente? É câncer atrás de câncer, parkinson, o tal alemão que nos faz esquecer quem somos e sofrer um AVC virou o novo tropeçar na rua. 

A única coisa que me bate é que estaremos sempre despreparados. E em vez de planejarmos, prevenirmos e noiarmos sobre tudo de ruim que pode vir, para mim, esta noite, o pulo do gato passou a ser aceitarmos esse despreparo, o abraçarmos e ainda ousarmos o conforto de olhar nos olhos dele e dizer: OK, eu realmente não sei de nada, então me mostra.

Não pense que é simples. Estarmos conscientemente despreparados pode ser a nova faculdade mais concorrida do mundo, afinal, sabemos de tudo, temos opiniões sobre todos, acessamos informações sobre qualquer coisa. Como poderíamos não estar preparados? Está tudo aí. Somos os fodões!

Uma pessoa que falta em uma segunda-feira de trabalho é porque ainda está bêbada do fim de semana, a menina que dá moral para o cara é porque está saindo com ele, o outro que está um pouco mais na dele, só pode estar com depressão. Todo mundo tem o diagnóstico pronto! Até que o helicóptero cai, o linfoma se espalha e o coração para. Nessa hora, ficamos reféns da nossa ignorância.

A mãe de uma amiga vive com o câncer há três anos. Ninguém dá jeito. A pelota só aumenta. Já chorou horrores. Ela. A mãe. Marido. Eu. Na última semana, recebeu seu primeiro netinho. 

A chuva de perguntas do tipo "Como ela está?", deu lugar a uma deliciosa surra de imagens da criança que a faz responder com sorrisos a cada clique da super câmera com "modo retrato" da minha amiga.

É difícil escrever isso porque soa prepotente até para mim mesmo, mas vou arriscar compartilhar o meu entendimento. De doença desgraçada, eu passo a ver o câncer como a doença que ensina. O sofrimento é surreal, sim. Mas participando um pouco dessa tristeza, olhando de fora, eu vejo e sinto o quanto ela transforma. Quem passa por ela, mesmo que não sobreviva, e quem está por perto.

Pode parecer cafonice espírita ou excesso de aceitação. Mas não estou falando sobre jogarmos a toalha. É sobre estarmos abertos a aprender. 

Este texto é sobre o exercício de estarmos e queremos estar sempre despreparados. Largar as armas do entendimento, a necessidade de definir algumas coias. Só assim iremos realmente ver, sentir, ouvir, conhecer e então aprender.

Hoje eu realmente só quero viver um feliz desaprendizado sobre as coisas que eu acho que sei.



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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O que Ki tem




Há quem a gente conheça e nos marque por nada. O Ki é assim. Não é um amigo. Nem namorado. Menos ainda um casinho. É mais. É diferente. Simples de se ter. Muito a oferecer, nada a cobrar. Uma pessoa que a vida traz para ver o quanto é possível se deliciar. E eu não estou falando só de gozar.

O encontro não tem dia. A parceria é de segunda a segunda. E não é imaginada. Se diverte com pouco. Não agride por nada.

Se ocupa de de um jeito saudável. Com um caderno de desenhos, outro de colorir, outro sobre arte. Sua sensibilidade é inimaginável.

Lê e assiste. No cinema, no HD, seus favoritos, ele ainda compra ou grava em DVD.

O Ki é um clássico. Tem até um caderninho. Escreve a caneta e inclui recorte aos textos às páginas do espiral, todo charmosinho.

Reúne escritas sobre seus relacionamentos e sentimentos. Todos à mão. Escreveu para falar de alguns e eu nunca soube se escreveram para ele. Que a justiça seja feita. Aqui estou.

Coleciona CD, guarda VHS e compra Vinil. Aos vinte e poucos anos, alguém aí já viu?

O Ki é gente de bem. Não importa com quem. Pode ficar bravo com alguns, mas guardaria rancor de nenhum.

Vezes pula feito doido. Canta, dança, mas não interpreta. Por vezes, guarda para si, mas se é para ser verdadeiro, ele é e não está nem aí.

Foi meu melhor cinema até hoje. E eu amo cinema e amei cinema com alguns. Mas o Ki é sem noção, realmente foge do padrão. A pipoca é dada na boca e com as pernas, a gente ficava coxa em cima de coxa.

Ele é diferenciado, o que me tirou a preguiça que eu tinha de veado.

Com sexo de um jeito natural, o tempo todo foi sensacional. Ponto para a maior performance por menor espaço, como quando no chão do box em que não havia cansaço.

Dorme agarrado, deixa meu braço babado. Fica melhor com a sua mão protegida, escondia, no elástico do meu short, camiseta ou em minha mordida.

No meu apartamento, não vivia nada. Até que ele passou por lá e deu uma olhada. Me convenceu a comprar planta e estou para dizer que a diferença foi tanta que todo dia isso me encanta.

O Ki eu quero bem. Não precisaria dizer para ninguém, afinal de contas... Amém! Mas eu compartilho mesmo assim. A minha intenção aqui é você também dizer sim.

Novas pessoas? Não se afaste. Se não funcionar, jamais se arraste. Considere que tentou, que se abriu. Viu e sentiu.

Se deu errado, fica o aprendizado. Se te fez melhorar, entenda que definitivamente a vida veio te presentear.

Quando o Ki se guarda em si, parece invisível. Mesmo assim, ele ensina a importância sobre nunca deixar de ser incrível, mesmo que somente para ti.

E olha só, quem diria... Além de tudo, ele ainda me trouxe um pouco de poesia.

Em vez de definitivo, escolhemos pela leveza da conversa guiada pelo intuitivo. Vou levar para a vida e ai de você se duvida!

Pode se tornar um amigo, mas, mais que isso, o importante é saber que ali nós dois tivemos um abrigo.




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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Isso é um Não-relacionamento



Depois de o poliamor surgir para quebrar as limitações sexuais e afetivas exclusivas a um casal, quem chega com tudo nesta estação como tendência para pessoas que adoram novas opções de relacionamento são os trisais.

Trisal. "Casal" de três. Três pessoas que se comprometem entre si. Pronto. Essa é a única regra para a formação que cai bem para quem possui a mesma sexualidade ou não e sem limitação de quantidade de gênero para essa composição. Podem ser duas mulheres e um cara, um para duas, três homens, três mulheres, todos gays, todos héteros, um bissexual no meio de um gay e outro hétero e aí são, quase, infinitas possibilidade.

O "quase" é porque a falta de norte das pessoas realmente pede algumas definições. Por mais que fuja do convencional, o trisal é mais um rótulo para mais um tipo de relação que quer direitos e deveres, pela lei, para a relação com os familiares e, especialmente, entre os que formam o trio.

O ponto é: se até relações não convencionais precisam de um título e alguns combinados para atender à expectativa, o que fazer com relacionamentos que não pretendem ser exatamente um relacionamento?

O Não-relacionamento é justamente para as pessoas que não pretendem ser um casal, trisal, quadrisal nem bacanal.

Duas pessoas se conhecem, se curtem, transam, vão ao cinema, bares e shows, não sentem a necessidade de ficar com outras, mas, claramente, não se colocam como um casal. Namoro? Só se for algo dito somente entre os dois. Nada de declarar como tal para as famílias e em redes sociais.

Neste esquema, o que é possível definir quando a intenção é exatamente não ter nada definido?

Imagine que em uma noite de sábado, o seu Não-relacionamento te manda a seguinte mensagem: "O pessoal me chamou para ir àquele bar novo". Só isso. Nada mais. Nem sinal de "digitando..." na tela em sua mão.

Vamos lá. A - Essa pessoa só está te comunicando que os amigos chamaram para o tal bar. B - Ela está dizendo que a convidaram e que ela vai. C - Ela vai e não quer que você vá. D - Ela vai e quer que você vá com ela. E - Ela não quer ir mas se você mostrar interesse em ir, ela vai. F - Ela não quer ir e quer que você também não queira ir porque, na verdade, o que ela quer é ficar em casa com você.

Considerando a proporção de pelo menos seis respostas diferentes para um comentário, a conversa aberta e às claras é sempre o melhor caminho.

Acontece que, se isso é um Não-relacionamento, qualquer opinião ou vontade pode parecer cobrança ou indiferença. Se a má interpretação rola até entre relacionamentos em que a cerca da limitação aos envolvidos é novinha, pintada e bem colocada, imagine em uma situação em que o único limite é o tal "Eu simplesmente gosto de estar com você".

Eu tive uma experiência de dois meses em um Não-relacionamento. Nos conhecemos pessoalmente, casualmente - e esse, para mim, ainda é o jeito mais gostoso de se conhecer alguém. Um primeiro programinha, conhecer o apartamento um do outro, sexo, então cinema e até encontrinhos com alguns amigos junto. Tudo com troca de carinhos, mãos dadas, selinhos aqui e ali. Uma leveza bem delícia que eu gostaria de viver um milhão de vezes nessa vida. Em meio a isso, o contrato assinado por ambos que diz "Não estamos dispostos a namorar".

Ao mesmo tempo que não queríamos ser um casal, também não ficávamos com outras pessoas e, nada imposto, era apenas a sensação de estar completo com uma companhia que não seria o seu companheiro.

Acontece que quando o Não-relacionamento de encontros em todos os dias do fim de semana começa a desencontrar, é impossível não pensar nas expectativas e então cair sobre o não-casal a consideração de mudar de título. O "vai ou racha" se torna o "chega mais para cá" ou "melhor deixar pra lá" como opções para tirar este Não-relacionamento do limbo.

Não éramos PAs (paus amigos), Amizade Colorida, Casinho ou Contatinho. É no meio disso que está o Não-relacionamento. É mais que somente sexo e é menos que "Esse é o Fulano" durante o almoço de família.

Com a experiência, concluí que os não-relacionamentos me fazem bem, se você souber que eles simplesmente não vão durar. Aproveite sem neura e então deixa ir. Seja para se formar um casal ou duas pessoas que decidiram não se pegar mais. E eu sinceramente acredito que aqui surge uma amizade.

É melhor combinar o jogo. Que todo mundo possa ficar com todo mundo ou que ninguém fique com mais ninguém porque as regras de cada um desses dois acordos orientam cada tipo de relação. 

Se não for assim, definitivamente se trata de um Não-relacionamento a dois que será uma legal, mas que, sem o mínimo de critérios para ser regado, vai morrer, afinal, me apresenta um ser humano que não seja desnorteado o bastante a ponto de viver sem algumas definições para organizar melhor a sua vida. Me inclua nessa. 




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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Você conhece a Disci?





























Acordei desnorteado com o despertador tocando alto, porém baixinho aos meus ouvidos graças ao som ensurdecedor do meu ventilador de teto colocado no máximo para aguentar esse calor. Cinco e pouco da manhã. Foco para chegar à porta do banheiro. Shorts para o chão. Pés para dentro do box. Rodada de registro para a direita. Mãos na saboneteira. Vazia.

Por sorte - ou precaução - deixo um sabonete líquido por perto para as visitas. O meu é em barra. O meu acabou. Acontece que eu nem me preocupei em sequer saber quantos sabonetes ainda tinha ou não em casa. Deixei rolar. Pouca responsabilidade, consequentemente, pouco sabão com a versão líquida daquele que me faltava.

O exemplo é bobo mas é um dos que me remetem à maior de todas as necessidades que já cheguei ao completar estes meus 32 anos: disciplina. 

A chata que eu sempre tratei com o mínimo de contato. "Oi. Tudo bem? Tudo e você? Que bom. Tchau". E partiu me divertir, extravasar, relaxar, me presentear. Nada dela por perto. Só quando ela for chamada. No trabalho, ótimo. Fora dali, eu mereço não me preocupar com nada. Ah, sim, claro.

Agora a fofa vive sentada nos meus ombros. Pesa. Mas aos poucos ela vai descer pelas minhas costas e tenho certeza que logo estaremos de mãos dadas. Lado a lado. Gêmeas, eu e a Disci.

Acontece que quando temos as nossas própria casa, próprias contas, própria falta de hábito de cozinhar e de nos exercitar, você vai precisar enviar um "Oi, sumida" para o registro "Disciplina" abandonado na agenda, se não, é só na base da Sorte - já essa outra mig, é ela quem escolhe a hora de te chamar para um rolê ou simplesmente ignorar as suas chamadas; não dá para contar com essa esnobe.

Umas das coisas que veado mais ouve - sim, não homossexual nem gay; que falta de disciplina a minha - é se sexo anal dói (entre muitas outras que surgem entre as conversas com curiosos). A resposta é não. É bem prazeroso. Para quem oferece e para quem recebe - se é quem me entende. Mas o ponto é que até para esse prazer é preciso chamar pela linda. Vira um ménage à trois. Você, a outra pessoa e a Disci.

O exemplo é porque é preciso um pouco de disciplina para uma preliminar bem feita. Para conhecer o seu corpo e evitar que - literalmente - dê merda. E não esquecer da Disci para lubrificar e, claro, se proteger. Ta-dá! Prazer na certa.

No famosinho "sexo por trás", a vontade também é um dos pontos mais importantes. Aliás, antes da Disci é sempre bom ver como está a tal Vontade. Sem ela, a disciplina simplesmente não aparece. Ou você realmente acha que os casamentos recebem em casa a Sorte para jantar todos os dias com a Vontade se juntando à mesa. Que nada.

Casamento duradouro também é resultado de disciplina. Muita. De ouvir, não julgar, oferecer, não esperar, perdoar, melhorar, se comprometer. O que é a Disci se não uma amante do todo corretinho senhor Comprometimento?

De qualquer forma, resolvi mandar convite e adicionar essa mocinha para tudo em minha vida. Surpreendentemente, ela me dá paz, melhorou meu sono, está cuidando da minha saúde, assegurou a graninha para a minha cerveja e meus livros sem me sacrificar. 

Quem quiser conhecê-la, vai por mim, vale a pena mandar pelo menos um emoji. Ela sempre responde.  
   


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Frases Gostosinhas (Post 2)

Peguei gosto. Escrever as Frases Gostosinhas virou um respiro para mim. Funciona em qualquer lugar, a qualquer hora, com meu pedaço de papel e caneta charmosinha por perto. 

É difícil manter o ritmo da escrita que não seja a do trabalho – até mesmo o da leitura – com a rotina de dez horas por dia na empresa e estudo e tarefinhas para manter uma casa eu por mim mesmo. porém é importante para mim. Me faz bem demais. É um respiro, mantém o frescor da minha profissão como comunicador e o melhor: a troca com os comentários que recebo é sempre deliciosa.

Para este novo ano, me comprometo com o exercício de me inspirar para trazer um novo post semanalmente ao Caneca, sempre às quintas-feiras.

Sobre as Frases Gostosinhas, vou reunir as postagens que faço na página do Caneca no Face e no meu Insta para postar esses apanhadinhos de tempos em tempos aqui no blog.

Desejo que 2019 seja de aprendizado e com o máximo de sorrisos possíveis para você.









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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Dei de ouvidos




























Este com certeza foi o ano em que menos escrevi por aqui. Por outro lado, foi o que eu mais ouvi por aí.

Ao conquistar um novo passo na minha profissão, me tornei responsável por uma equipe de dezesseis pessoas. A experiência me empurrou para o meio de um coliseu de arquibancadas lotadas e que, a cada vez que a porta da arena se abria, surgia um leão, um gladiador, uma carruagem que me desafiava a tomar as rédeas ou ser atropelado. Dominar ou ser engolido. Firmar os meus pés ou ser empurrado para longe. Me posicionar ou ser esquartejado. No entorno, alguns curiosos encarando cada movimento para ver até onde você é capaz de ir.

Uma experiência como essa te força a aprender a observar, a ouvir, a estudar. Eu, expansivo, falante, agitado, ansioso, dono de mim e das minhas verdades, tive que buscar um novo eu para lidar com o eu esperado pelas pessoas.

Uma das minhas maiores surpresas do ano foi o dia em que estava na fila do Mc Donald’s e eu não sabia qual lanche pedir. Logo eu tão seguro no sabor do Quarteirão e tão ousado a ponto de encarar cada lançamento da marca. Parei... Olhei... Fiquei... A menina do caixa me chamou e eu embalei no pedido que a minha turma estava combinando. O resultado foi que eu não curti muito o sanduíche, mas adorei o meu desapontamento, afinal, ele surgiu de uma tentativa, de uma dúvida que eu me permiti.

A dúvida só é possível quando se ouve. Quando nos abrimos. Na leitura durante o almoço, uma amiga ficou passada com o livro em minhas mãos que falava sobre hábitos saudáveis. Outra vez na livraria, comprei o lançamento de um guru que fala sobre nossa conexão com nós mesmos e poder de cura disso. Logo eu que sempre desacreditei de frases e pensamentos prontos que enriquecem autores que se aproveitam da carência alheia.

Mas as pessoas são carentes. Inclusive eu. Por isso das minhas leituras, das minhas preces. Ninguém aprende sozinho.

Este ano uma das minhas maiores surpresas foi ver, na prática – e com muita frequência – como duas pessoas podem olhar para uma mesma folha de papel branca e ver coisas completamente diferentes. E quando se é líder em uma equipe, muitas vezes não há certo ou errado entre essas duas visões, são apenas dois jeitos diferentes de perceber uma mesma coisa, cada um com base em suas referências, momento de vida, humor do dia ou horário da fome.

Em meio ao ouvir mais e falar menos, é uma delícia descobrir o que somos capazes de mudar na gente e o que não. Eu insisto na minha paz e no meu equilíbrio, mas não me anulo. Sei dos meus gostos, o que me faz bem e não, porém, me permito viver um pouco mais do outro. Por empatia, aprendizado ou apenas tentativa de compreensão. Eu descobri que, se estamos dispostos e cientes disso, mal não faz.

Ao longo de 2018, li Karnal, Cortella e Baba. Como esperado, pouco me acrescentaram. Mas o lance é que eu me abri para conhecer. Para entender e guardar, não para me mostrar.

De modo geral, eu descobri que toda leitura ensina, afinal, o ideal é que ela te leve ao silêncio. Meu maior aprendizado este ano veio disso: do saber silenciar.

O silêncio do trabalho individual, os ouvidos para o resultado em grupo. Da casa a dois, à rotina somente com meus pensamentos.

Ficar quietinho enquanto pessoas ao redor trocam farpas, olhar silenciosamente um comentário sem noção, não dizer o que não precisa ser dito, o que não acrescenta, o que pode fazer mal ou causar algum desconforto sem necessidade de tal. Porque às vezes será necessário dizer e corrigir e discutir porque é assim que aprendamos: falando, mas, principalmente, ouvindo.

Este ano tatuei uma fênix, pequena, discreta, com uma técnica que dá a impressão de ela estar surgindo e desbotando. Porque para mim a nossa certeza e o nosso aprendizado ocorrem assim, em destaque e em ausência.

A fênix ressurge de uma nova forma, a partir de si mesma. Para mim, é um novo dia. Sou um novo eu, que sempre tem o que dizer, mas que nos últimos meses entendeu o presentão que recebemos ao dar de ouvidos em vez de simplesmente dar de ombros.


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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

É coisa minha



























“Já pensou quando o Matheus ficar velho?”, jogou minha amiga sobre quem iria me aguentar, depois de eu soltar mais uma das minhas manias de organização-fiscalização-“Por que tal coisa está de tal jeito?”. Entre ter um cachorro, uma calopsita ou superar o pavor de gatos para ter uma companhia na velhice, eu escolho aceitar que isso, simplesmente, é coisa minha. Mais uma, de tantas.

Não vão ser animalzinho, namorado, amante, marido, filhos de amigos – os próprios amigos – e parentes os responsáveis por mim na velhice, assim como não são hoje. Com ou sem companhia, somos e seremos sempre nós por nós mesmos. Partiu aceitação?

A real é que ninguém se importa de verdade com o outro. Nem tem tempo para isso. Ou interesse genuíno. Me incluo e esse texto é mais um exercício para melhorarmos no for possível como pessoas.

Perguntamos sobre o outro simplesmente por educação – comportamento que morre um pouco a cada possibilidade de manifestação na internet – ou para saber se aquilo que o outro tem para dizer se encaixa ou não nos nossos padrões. É o "Não" para o "Entender" e o "Sim" para "Julgar" ou comentar, printar, dar like, talvez até a deixar de seguir.

Comentei com outra amiga que estou conhecendo uma pessoa que está me fazendo bem. Na sequência de mensagens pelo WhatsApp, recebi: – Quantos anos o moço tem? Eu: – 25. Ela – Idade boa.. Mora sozinho? Tem carro?.

Daí para frente eu já tinha me arrependido de comentar sobre a experiência. Bem feito para mim. Afinal, isso é coisa minha.

Em um mundo em que quem não assiste a mesma série que você não serve para conversar, com quem vamos compartilhar as nossas questões?

Terapeutas vão continuar rachando de faturar, pois têm o dever de ouvir sem julgar. Quem não puder pagar, também vai rachar... De chorar, beber, dormir. Sei lá. Ou viver de esconder suas experiências, se isolar, guardá-las até chegar o dia de, literalmente, enterrá-las.

Para mim o interesse genuíno sobre o outro só é possível a partir do amor. Amar, sim, é trocar sem planejar. Receber e só agradecer. Oferecer e desencanar.

Eu escreveria sorte, mas vou trocar por milagre. Milagre de quem possui essa troca genuína na velhice. Não falo de estar com alguém, casamento ou visita em leito de hospital ou casa de repouso. Eu falo da entrega para alguém.

Aqui eu trago de volta a palavra sorte, mais acessível que o milagre. Sorte de quem é ouvido com profundidade, com os olhos serenos, a mente tranquila e o coração aberto de quem nos recebe. Seja quem for, quando, onde, como e por quanto tempo for. Aí sim é coisa nossa!

Às vezes um até então desconhecido está mais interessado no que temos a dizer que alguém que convivemos há décadas. Pode ser um jantar com o paquera de beijo desengonçado que se tornou um novo e bom amigo, com uma amiga da sua mãe, que você acaba de conhecer em uma roda de samba ou deitado no colchão do moço sem carro, enquanto cada um compartilha a sua história até ali.

Se não for assim, tudo isso é coisa sua. Só sua. E mesmo quando eu tenho a sorte dessa troca de interesse mútuo, até isso é coisa minha.



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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Frases Gostosinhas

De repente bate. Durante o banho, lavando a louça, ouvindo os berros de James Brown. Frases gostosinhas que naquele momento me remetem a algo e que tempos depois vão me levar a outros pensamentos ao ler cada uma delas novamente.

Corro para o bloquinho e a caneca. Divido com vocês. Compartilho sempre em meu Insta e na página do Caneca no Face.






sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Nunca o suficiente




Não nos tornaríamos alguém diferente do que seríamos, se não sonhássemos. Assim eu defino a mensagem do filme “O Rei do Show”. Meu musical favorito. Assisti duas vezes no cinema, três em DVD. Ouço a trilha toda semana. 

Penso em escrever sobre o musical circense desde o dia 27 de dezembro de 2017 quando o assisti no cinema pela primeira vez, na noite do meu aniversário de 31 anos. O programinha salvou a minha data que, até então, não estava nada especial por conta do desarranjo intestinal mais louco que já tive e um cenário na vida pessoal que não me entusiasmava.

A experiência foi mágica. Foi mesmo. Não no sentido clichê, mas na sensação que eu tinha em cada cena, as cores, os elementos tão simples de um circo e a vida no século 18, com tecnologia na dose certa para não estragar essa simplicidade junto ao nó na garganta pela emoção em cada número musical. A condição de cada personagem mexia comigo. A história, a dificuldade e o sonho de cada um deles.

O transbordar para este texto finalmente sair são dois. Primeiro que as músicas do filme estão sendo relançadas em novas versões, gravadas por cantores famosos como Pink e Kelly Clarkson em um álbum chamado “The Greatest Showman Reimagined”.

Em segundo, o reencontro que estou vivendo comigo, me lembrando de quem eu fui e quem, finalmente, eu me tornei. Um Matheus que eu só imaginava em sonhos. E aqui estou.

O que a vida impõe para a gente e o que realmente está em nossas mãos?

No filme, o filho de um humilde alfaiate cria coisas a partir do pouco, sonha com a casa cheia de coisas que colecionou por suas histórias, sonha com a vida que gostaria de ter, sempre certo de quem ele vai trabalhar para ser. 

O protagonista interpretado por Hugh Jackman não se limita ao que supostamente ele estaria predestinado a ser e se torna um grande homem do entretenimento, sendo bem sucedido financeira e emocionalmente. 

O filme “O Rei do Show” se baseia na vida de Phineas Taylor Barnum, um showman e empresário norte-americano, lembrado principalmente por fundar o circo de aberrações que viria a se tornar o Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus. O cara sempre será uma referência criativa para o marketing.

Além da trama principal, as pequenas histórias dentro dela cravam a diversidade – a música “This is Me” é simplesmente perfeita – e a quebra de paradigmas – o romance entre os personagem de Zac Efron e Zendaya é um charme.

Entre os números musicais está o de menor produção e que me provoca maior identificação: “Never Enough”.

A música e a cena são perfeitas para essa pessoa aqui, que passou muito tempo se culpando por querer sempre mais e que agora entende que, graças a isso, eu me tornei quem eu sou e vou ainda mais longe, pois me lembrei da importância de manter a magia, de ser feliz com o suficiente, mas sempre se reinventar e, acima de tudo, nunca deixar de sonhar.


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